Tecnologia

Inovação da China chega ao Brasil para provocar concorrência


Com um modelo diferente das marcas rivais, a Xiaomi, que produz smartphones, desembarca no país com a promessa de trazer tecnologia a preço acessível. Na foto, Hugo Barra, vice-presidente, e Leo Marroig, diretor-geral.


  Por Thais Ferreira 21 de Julho de 2015 às 07:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


A trajetória da Xiaomi é muito particular, principalmente quando comparada à da maioria das empresas que produzem celulares – um setor dominado por gigantes da tecnologia que há anos estão se consolidando no mercado. 

Diferente das demais, a projeção da empresa chinesa tem sido meteórica. Foi fundada em 2010 por Lei Jun, um empreendedor com vasta experiência em diversas empresas de tecnologia: ele foi cofundador da Kingsoft, que produz softwares, e investidor-anjo de diversas startups de sucesso em seu país. 

Inicialmente, Jun queria permanecer no setor de softwares. Mas, com a expansão dos smartphones no país, o empresário decidiu enveredar pelos caminhos do mobile e fabricar produtos eletrônicos. 

Em apenas quatro anos, a companhia conseguiu se tornar a campeã de vendas no competitivo mercado chinês, desbancando tradicionais líderes de mercado, como a Samsung.  O passo seguinte foi a expansão para outros países da Ásia, como a Malásia e Singapura. 

O segredo para o sucesso rápido está numa mistura que fisgou os consumidores: produtos com tecnologia de ponta a preços acessíveis. “Um dos nossos lemas é inovação para todos”, afirma Leo Marroig, diretor-geral da Xiaomi para a América Latina.

Leia mais: Smartphone não precisa ser caro para ser bom
 
O MODELO DA XIAOMI 

Para conseguir unir smartphones de qualidade com um valor baixo, a empresa apostou num modelo de negócio diferente das concorrentes. Em vez de criar periodicamente novos aparelhos – cada vez mais modernos e dotados de muitas funções –, a companhia chinesa aposta num mesmo produto durante um período de tempo maior do que as demais marcas.  

Com isso, consegue aumentar o volume de compras e negociar melhores preços com os fornecedores – o resultado são aparelhos mais baratos. Para que os smartphones não fiquem defasados rapidamente, uma equipe de desenvolvedores cria atualizações frequentes para o sistema operacional.  

Outra forma de diminuir os custos é na distribuição. Grande parte dos aparelhos da Xiaomi é vendida diretamente para o cliente pelo e-commerce da loja.  Sem intermediários, há uma redução significativa no preço. 

A estratégia de divulgação da marca também é feita de forma direta. A Xiaomi não anuncia nos veículos tradicionais e aposta tudo nas mídias sociais. Além de reduzir custos, isso permite que a empresa tenha um contato direto com os clientes, chamados de Mi fãs.

Para atender à demanda desse exigente público, a empresa montou fóruns de discussão na internet em que os usuários ajudam a aprimorar os produtos da marca e a avaliam constantemente as atualizações realizadas. Essa prática ajuda a criar aparelhos melhores e a fidelizar consumidores. 

LEO MARROIG NO ESCRITÓRIO XIAOMI (OU APENAS MI) NO BRASIL

A CHEGADA NO BRASIL

A primeira aposta da Xiaomi fora da Ásia foi o mercado brasileiro. A empresa se instalou no país em meados de 2014 e adotou o nome de Mi.  A fabricação ficou a cargo da Foxconn, localizada em Jundiaí, no interior de São Paulo. 

 “A empresa decidiu vir para o Brasil porque é o quarto maior mercado de smartphones do mundo, ficando atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos”, afirma Marroig. “Além disso, grande parte da população ainda tem celulares simples. Há, portanto, uma grande oportunidade para crescermos no país”. 

A primeira venda de produtos foi organizada em julho desse ano, com uma autêntica mobilização. Para marcar o lançamento, foi organizado um grande evento no teatro Net, no Shopping Vila Olímpia, em São Paulo. Os fãs da marca se aglomeraram uma fila imensa horas antes do evento – algo comparado aos shows de grandes astros da música. Nada a dever de um lançamento da Apple. 

Os 800 lugares disponíveis foram insuficientes e teve gente que ficou de fora. Para não decepcionar os consumidores, a empresa improvisou um segundo evento no mesmo dia. “Não esperávamos tanta receptividade. Isso mostra que o mercado brasileiro está ávido por mais opções”, disse Marroig. 

Todas as vendas são realizadas pelo e-commerce da marca. Semanalmente, as pessoas se inscrevem para participar do evento de venda online. No dia combinado, os usuários entram no site para efetuar a compra. Foram vendidos, em apenas duas semanas,  10 mil smartphones. 

REDMI 2: POR ENQUANTO O ÚNICO SMARTPHONE COMERCIALIZADO PELA XIAOMI NO BRASIL. Foto: Divulgação

O APARELHO

No Brasil, apenas um modelo está disponível para os consumidores: o Redmi 2, vendido por R$ 499,00.  O aparelho possui uma tela de 4.7, polegadas, câmera traseira de 8 MP e frontal de 2MP. Comporta dois chips em 4G sem que o usuário tenha que mudá-los de posição manualmente. A memória é de 1 gigabyte que pode chegar até 32G com o cartão micro SD.  

O aparelho tem um sistema inteligente que ajuda a economizar bateria e a carregá-la mais rapidamente. O sistema operacional é compatível com Android. Com as características similares, os concorrentes vendem aparelhos por valores que variam entre R$ 600 e R$ 700. 

Por isso, a chegada da Xiaomi no Brasil promete acirrar a concorrência. Alguns especialistas acreditam que as grandes marcas terão que rever seus preços no mercado nacional.

O próximo passo da empresa chinesa é começar a comercializar outros produtos de seu catálogo no Brasil. Ns próximas semanas, começarão as vendas da Mi Band (pulseira inteligente que monitora sono e atividades físicas e recebe notificações do smartphone)  e do Mi Power Bank (carregador portátil).  Na China, a empresa produz tablets e smart TVs que podem também chegar ao mercado brasileiro. 

* Foto: Divulgação