Tecnologia

Florianópolis é o destaque no mapa das startups


A capital catarinense abriga atualmente mais de 16 mil empreendedores e o número de empresas de tecnologia subiu 3,42% entre 2015 e 2017, de acordo com estudo divulgado no Startup Summit


  Por Agência Brasil 15 de Julho de 2018 às 11:23

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o maior número de startups no país está concentrado nos estados de São Paulo (41%), Minas Gerais (12%) e Rio de Janeiro (9,7%).

Entre as capitais, destacam-se em números absolutos São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mas quando se considera a proporção de startups em relação ao número de habitantes, Florianópolis desponta na liderança.

O estado de Santa Catarina alcançou a liderança no número de startups, empresas de inovação e base tecnológica.

Dados divulgados esta semana pela Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) mostram que a região abriga atualmente mais de 16 mil empreendedores e o número de empresas de tecnologia subiu 3,42% entre 2015 e 2017. Considerando os últimos 30 anos, o crescimento foi de 10.000%, segundo o panorama divulgado pela entidade.

A densidade de startups na capital de Santa Catarina é quase dez vezes maior do que na capital paulista. Em seguida, figuram outras cidades catarinenses, como Chapecó e Joinville.

Segundo a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) , o setor tecnológico já representa 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, com um faturamento de R$ 15,5 bilhões.

“A região tem um histórico grande na área da tecnologia de informação, principalmente. Tem uma boa rede de universidades na área de tecnologia e um dos melhores IDHs [índices de desenvolvimento humano] do Brasil, então, atrai muita gente qualificada com experiência, numa região onde cresceram muitas empresas de tecnologia nos últimos 20 anos”, explica o empreendedor Felipe Matos.

Por ser uma ilha, onde não podem ser instaladas indústrias devido à limitação de espaço, Florianópolis deu uma guinada para o mundo do empreendedorismo e se consolidou como um dos pólos de inovação tecnológica do país e já vem sendo chamada de um dos vales do Silício brasileiro, em referência à região dos Estados Unidos que concentra as grandes empresas norte-americanas de tecnologia.

O desempenho de Florianópolis atraiu para a cidade o primeiro grande evento nacional do setor, o Startup Summit, realizado nos últimos dias 12 e 13 de julho.

Mais de 2.300 inscritos participaram do encontro, entre palestrantes de diferentes empreendimentos e representantes de instituições que trabalham pelo desenvolvimento de políticas favoráveis ao mercado de startups.

UMA HISTÓRIA

A primeira tentativa de abrir uma empresa, ainda no início dos anos 2000, não deu certo para o catarinense Eric Santos. Depois de seis anos tentando desenvolver diferentes produtos na área de telefonia celular, Eric percebeu que o negócio não escalonou, mas rendeu experiência para futuras oportunidades.

Ele fechou a primeira empresa e passou a trabalhar em algumas startups, até que, em 2011, retomou a ideia de empreender e abriu a Resultados Digitais (RD), startup de marketing digital que se tornou referência nacional na oferta para grandes empresas de ferramentas tecnológicas de conquista de clientes, entre outros produtos.

A empresa surgiu há sete anos, praticamente junto com o conceito de startup no Brasil. Hoje, a RD tem mais de 600 colaboradores trabalhando em uma sede própria, atende a mais de 10 mil clientes no Brasil e em outros 20 países e tem parceria com mais de 1.500 agências de negócios.

Além do investimento em educação na área de marketing, por meio de palestras, eventos, distribuição de conteúdo, a empresa cresceu apostando em talentos.

“Uma das coisas que nós conseguimos fazer é criar uma escolinha para atrair talentos para dentro do time, formar, desenvolver a parte técnica, intelectual e ajudar essas pessoas a continuar crescendo. Boa parte dos líderes da empresa são pessoas que entraram há 4 ou 5 anos e cresceram junto com a empresa. Vários começaram a fazer outras iniciativas, a empreender ou participar de outras coisas e a gente está vendo que isso vai plantar várias sementes e frutos serão colhidos ao longo dos próximos anos”, comenta Eric.

Outra startup catarinense que ganhou o mercado nacional e atravessou as fronteiras do país foi a Agriness, que atua há 17 anos no setor de suinocultora.

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A empresa encontra soluções tecnológicas de gestão e melhoria de produtividade para produtores de suínos. Atualmente, a Agriness atende a 90% do mercado brasileiro de suínos, 50% do mercado da Argentina e já tem entrada em outros países das Américas. A expectativa da startup é que o negócio cresça ainda mais, considerando a grande demanda por alimentos no Brasil e no mundo.

“As agrotechs [startups na área da agricultura] estão entrando em alta agora, o que eu tenho visto mais são empresas e financiadoras privadas interessadas em aportar, em investir. Esses momentos como este aqui [Startup Summit] é que acabam aproximando as agrotechs e gente que tem os mesmos interesses. Mas, acho que o Brasil ainda precisa de políticas mais bem estruturadas”, disse Cristina Bittencourt, cofundadora da Agriness.

Além de Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Recife, Fortaleza e Campinas estão na lista das dez cidades com mais startups do país. A região Norte também apresenta alguns casos consolidados, como o da startup Só Arquivos, que atua há dez anos no segmento de guarda e gerenciamento de documentos de grandes empresas.