Tecnologia

Estudo aponta obstáculos ao avanço do e-commerce


67% dos brasileiros têm acesso à web, é o segundo país que mais usa as redes sociais, mas a velocidade média da internet fica bem abaixo da média mundial, de acordo com relatório da McKinsey


  Por Estadão Conteúdo 10 de Abril de 2019 às 08:56

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O brasileiro está pronto para a revolução digital, mas o País enfrenta desafios que vão de falta de infraestrutura, baixo investimento no setor de tecnologia e baixa produtividade.

É o que aponta relatório feito pela McKinsey, em parceria com o Brazil at Silicon Valley, conferência organizada por estudantes brasileiros da Universidade de Stanford com o objetivo de usar inovação e tecnologia para ajudar a aumentar a competitividade do País. O evento acontece em Mountain View, Califórnia, no Museu da História do Computador, um dos ícones do Vale do Silício.

“É o primeiro grande levantamento do setor no País. Fornece um panorama importante, que responde várias das perguntas que muitos investidores me fazem”, diz Hugo Barra, vice-presidente de realidade virtual do Facebook, e padrinho do evento.

“Avançamos bastante, basta lembrar os oito unicórnios (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) que nasceram no Brasil o ano passado. Mas temos muito a fazer.”

O País tem 67% da população com acesso à internet, é o segundo que mais usa as redes sociais: fica cerca de 9 horas por dia conectado. No entanto, a velocidade média da internet, de 13 Mpbs, fica bem abaixo da média global, de 31 Mpbs.

Embora seja o segundo ou o terceiro maior mercado de gigantes como Facebook, Netflix e WhatsApp, o Brasil tem dificuldades para atrair operações mais robustas de gigantes do e-ecommerce, como a Amazon.

“Há um problema de logística. A última milha no País, por questões de infraestrutura ou mesmo segurança, é complicada. Isso encarece a operação”, explica Nicola Calicchio, um dos responsáveis pela pesquisa.

O Brasil também tem pouca representatividade do setor de tecnologia na Bolsa. Enquanto nos Estados Unidos as cinco primeiras colocadas pertencem ao setor, o ranking brasileiro não tem nenhuma representante. Na China, as duas maiores empresas do País são gigantes da tecnologia.

A burocracia também é um entrave. O País está entre os menos favoráveis à abertura de novos negócios, na posição 109 em ranking do Banco Mundial. “Isso é muito nocivo para uma área em que falhar faz parte do negócio e é preciso virar a página rapidamente”, diz Calicchio.

O estudo mostra, porém, que as fintechs estão entre os melhores exemplos da inovação no País: passaram de 50 para 400 em três anos. Sete milhões de clientes abriram contas em bancos digitais.

IMAGEM: Thinkstock