Tecnologia

Elementar, meu caro Watson


Como o computador da IBM, celebrizado em um programa de teste de conhecimentos na TV (foto), agora conversa com consumidores no site da North Face, fabricante de roupas esportivas


  Por Sérgio Teixeira Jr. 19 de Janeiro de 2016 às 13:00

  | Jornalista especializado em tecnologia e negócios, vive em Nova York (EUA)


O computador Watson, da IBM, ficou famoso cinco anos atrás, quando venceu os campeões do programa de conhecimentos gerais Jeopardy!.

No programa, exibido pela primeira vez na TV americana em março de 1964, os participantes têm de adivinhar a pergunta correta para a resposta que lhes é apresentada.

O Watson -cujo nome é uma homenagem ao primeiro CEO da IBM, Thomas Watson, e não ao companheiro de Sherlock Holmes–tinha na memória 200 milhões de páginas de textos e informações não-estruturadas, incluindo a Wikipédia inteira.

Mas simplesmente armazenar dados é uma coisa. Entender as dicas apresentadas e delas extrair as respostas certas, outra, bem diferente.

O desempenho do Watson, um computador capaz de entender e se comunicar em linguagem natural, é considerado um dos avanços mais marcantes do campo da inteligência artificial.

LEIA MAIS: Como a tecnologia está mudando tudo no varejo

O prêmio pela vitória no Jeopardy! foi de 1 milhão de dólares, mas para a IBM o Watson era mais que um truque de marketing – era um investimento.

Mais de US$ 1 bilhão foram investidos na iniciativa (mil vezes mais que o prêmio do programa de TV).

Em 2013, a empresa anunciou as primeiras aplicações comerciais para o sistema: apoio no tratamento de doentes de câncer.

O Watson continuou evoluindo desde então, e hoje ele é uma área de negócios inteira, chamada de IBM Watson Group.

A empresa já utiliza o Watson em 17 indústrias e em 35 países diferentes.

Desenvolvedores de software podem se plugar no Watson via internet e usar a inteligência artificial para fazer todo tipo de consulta, de análises de grandes quantidades de informações a técnicas que permitem interação em linguagem natural entre pessoas e computadores.

Esse aspecto futurista da inteligência artificial, a possibilidade de conversar com as máquinas, estava por trás de um dos projetos mais interessantes apresentados na edição 2016 do Big Show.

A North Face, fabricante de roupas de esportes de inverno, está testando desde o ano passado uma ferramenta que, com a ajuda do Watson, permite que os consumidores entrem no site da empresa e literalmente conversem com ele: em vez de digitar palavras-chave num campo de busca, basta falar.

LEIA MAIS: Indústria e varejo se unem para inovar

Na demonstração do sistema, Cal Bouchard, diretor-sênior de comércio eletrônico da North Face, pediu uma sugestão de casacos de frio.

Como um vendedor de uma loja, o computador ouviu a pergunta e tentou entender exatamente o que o cliente estava procurando. “Onde e quando você vai usar o casaco?”, foi a resposta. “Quero um casaco para usar numa viagem para uma estação de esqui em Vermont, em dezembro”, disse Bouchard.

A conversa continuou com perguntas sobre cores, se era para homem ou mulher e assim por diante. Depois de refinados os parâmetros (e consultada a previsão do tempo no destino e no período da viagem), o site oferece uma seleção de produtos.

Nos primeiros dois meses, a ferramenta foi usada por 50 000 consumidores, disse Bouchard. Três entre quatro disseram que usariam o sistema novamente. “Isso mostra que os consumidores estão prontos para experimentar um pouco de inteligência artificial.”