Tecnologia

É o fim do caixa?


Lojas, como a Formosinha Decorações (foto), de Marília, adotam tecnologia que permite ao vendedor atender o cliente e concluir uma venda com o uso de Ipad


  Por Fátima Fernandes 30 de Outubro de 2015 às 10:00

  | Editora ffernandes@dcomercio.com.br


Aquele modelo tradicional de loja no qual o vendedor faz a venda e o caixa, a cobrança do produto, pode estar com os dias contados.

A tecnologia que permite a um só funcionário atender o cliente e concluir a compra por meio de um Ipad ou um tablet começa a se disseminar no varejo brasileiro.

Quem já foi em uma loja da Apple tem uma ideia de como funciona o processo.

O consumidor tem contato com um só funcionário da loja, que está apto a dar informações sobre produtos e a fechar a compra.

A principal vantagem para o cliente é que ele não precisa enfrentar filas para pagar o produto no caixa, o que reduz o tempo para fazer uma compra.

Com o fim do modelo de loja com balcões e caixas, as lojas, por sua vez, ganham espaços, e ainda terão a possibilidade de ter funcionários mais próximos dos clientes.

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A tecnologia que permite que o funcionário atue como vendedor e caixa foi lançada no país neste ano.

A norte-americana Team Work, desenvolvedora de software para automação comercial, se uniu ao empresário brasileiro Gerson Vissicaro para criar a Team Work Retail Brasil, empresa especializada em software para dispositivos móveis.

“Estamos em fase de fechamento de contrato com grandes redes de lojas”, afirma Vissicaro, sócio da Team Work Retail, que acaba de selar uma negociação com a Apple e a IBM para possibilitar compras e pagamento por meio de um Ipad.

Desde março, a Moura Informática, empresa de automação comercial de Araraquara, já oferece também o sistema para lojistas menores, que operam com até três caixas.

Com uma carteira de aproximadamente 5 mil cliente, principalmente no segmento de pet shops, a Moura Informática acaba de fechar contrato com a rede de farmácias MaisBrasil para instalar o sistema em 44 lojas em Goiás.

“O futuro do varejo é esse: um funcionário vai atender o cliente em toda a operação”, diz José Natal de Moura, sócio-proprietário da Moura Informática.

MAGAZINE LUIZA: FUNCIONÁRIOS COMEÇAM A SER TREINADOS PARA USAR IPAD NA VENDA/Foto: Werher Santana/EC

Com 780 lojas, o Magazine Luiza começou, recentemente, a preparar os funcionários para adotar o modelo Apple de venda.

Semanalmente, vendedores de três ou quatro lojas da rede são treinados para atender o consumidor com um smartphone nas mãos.

Além de reunir os produtos disponíveis, os aparelhos estão habilitados para fechar o pedido.

Por enquanto, a rede ainda vai utilizar os tradicionais caixas, que serão substituídos assim que o sistema estiver adaptado às exigências fiscais.

NOVAS REGRAS FISCAIS

O uso da tecnologia de venda pelo Ipad só foi possível depois que começou a operar no país o sistema da Nota Fiscal ao Consumidor Eletrônica (NFC-e).

Essa é uma solução (sem hardware) que permite que informações de vendas sejam transmitidas online para a Secretaria da Fazenda por meio de um aplicativo.   

A Team Work Retail, constituída em 2012, esperava ansiosamente o momento para lançar o software no Brasil. “Passamos muita dificuldade em 2014, e quase quebramos, aguardando mudança na legislação brasileira”, afirma Vissicaro.

No exterior a empresa já havia colocado todo o foco em soluções para aparelhos móveis. A rede Aldo, por exemplo, utiliza o sistema da Team Work em suas 4.000 lojas.

Após fazer a ‘tropicalização’ do software, de acordo com Vissicaro, chegou o momento de vender a solução para as grandes redes de lojas do Brasil. O interesse das empresas, diz ele, tem sido grande.

A produtividade de um funcionário aumenta de 30% a 40% em uma loja que utiliza o sistema de venda pelo Ipad, diz Vissicaro.

O sistema também é mais barato, segundo ele, do que o tradicional modelo de caixas nos fundos das lojas.

Um equipamento pode custar de R$ 600 a R$ 1.200. A solução é mais cara se o lojista optar pelo Ipad (Apple). As versões mais em conta já utilizam equipamentos da Multilaser (R$ 600) e da HP (entre R$ 800 e R$ 1.000).

“Essa tecnologia deverá ter grande penetração no país por algumas razões: custo menor e possibilidade de o lojista ficar mais perto do cliente com o fim dos balcões”, afirma Gustavo Carrer, consultor do Sebrae SP.

A Formosinha Decorações, loja de flores e arranjos de Marília (SP), implantou o modelo Apple de venda no ano passado, depois que diretores participaram da NRF, o maior evento mundial do varejo, que acontece em Nova York.

Desde agosto, dois vendedores da Formosinha já estão preparados para efetuar o processo de compra do cliente por tablet. O sistema foi desenvolvido pela Moura Informática.

“A produtividade do funcionário aumenta e o cliente é atendido de forma bem mais rápida. O tablet também é usado para mostrar os arranjos que já entregamos para os clientes”, afirma Marcos Guanha, sócio-proprietário da Formosinha, que também vende artigos para decoração

Ao eliminar os caixas e os balcões de vendas, as lojas ganham espaços.

No momento em que cortar custos representa um dos maiores desafios do comércio, o modelo Apple de venda pode significar redução de custos, principalmente em lojas de shoppings, que são mais caras para manter, segundo consultores de varejo e lojistas.

MOBILES

O Magazine Luiza aposta que o próprio consumidor vai navegar cada vez mais por mobiles e por aplicativos e menos por desk tops. Hoje (29/10), a rede lançou o seu aplicativo de vendas para smartphones nas versões Android e IOS.

A empresa estima que até o ano que vem mais da metade dos acessos virá da plataforma mobile, que hoje representam 20%.

De acordo com a rede, 20 milhões de clientes acessam o site da empresa. Do faturamento de R$ 12 bilhões em 2014, as vendas online totalizaram R$ 2 bilhões.

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