Tecnologia

Como os consumidores compraram na Black Friday


Moda foi o setor que mais vendeu durante o evento, seguido das categorias de Bebidas e Eletrodomésticos e Eletroportáteis, de acordo com relatório da Social Miner


  Por Mariana Missiaggia 04 de Dezembro de 2018 às 15:35

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Faltando menos de um mês para o Natal, alguns comerciantes ainda se valem dos efeitos da Black Friday para acelerar as vendas.

De acordo com a Ebit/Nielsen, por volta das 17h da sexta-feira (23/11), data oficial do evento, o faturamento de vendas já havia somado R$2,1 bilhões, o valor total arrecadado na edição de 2017. Numa comparação com o mesmo horário do ano anterior, o crescimento foi de 26%.

Com base no comportamento de navegação de mais 25 milhões de usuários, a Social Miner, plataforma de automação para aumentar conversões de e-commerce, produziu um relatório sobre o desempenho do mercado de e-commerces na Black Friday 2018.

Para o estudo, a empresa se uniu a empresas do mercado virtual, como Vindi, Neoassist, MindMiners, Anymarket, Rankmyapp e Ghfly.

Como já era esperado, a sexta-feira da Black Friday registrou o maior pico de visitas nos sites, representando 11,7% do volume total de tráfego de novembro.

Para ter uma ideia, o segundo melhor dia do mês em número de acessos foi a segunda-feira (19/11), a cinco dias da data comercial , representando 4,76% do movimento mensal.

Analisando o volume de vendas hora a hora, entre os dias 22 e 25 de novembro, o primeiro pico de vendas aconteceu na quinta-feira (22/11) à noite, às 20h - véspera da data comercial. Ou seja, período em que as pessoas começam a se preparar para as compras do dia seguinte.

Outro pico de visitas aconteceu entre meia-noite e 3h da manhã de sexta-feira (23/11), já no dia da Black Friday.

Nesse mesmo período, houve também um pequeno pico de vendas, porém com baixa taxa de conversão, pois muitos consumidores ainda estavam apenas pesquisando ofertas. 

VOLUME DE VENDAS

O relatório indica que de todas as vendas geradas no segundo semestre de 2018, 31% se concentraram no mês da Black Friday – quase o dobro do que foi alcançado no mês de setembro, por exemplo.

A categoria de produtos que mais vendeu durante a Black Friday foi a de Moda, com 38,8% de participação.  Bebidas e Eletrodomésticos e Eletroportáteis também se destacaram, com 19,1% e 12,1% respectivamente.

Setores como Hotéis e Viagens, Multicategoria e Livraria tiveram uma variação positiva no valor do tíquete médio, que representou um crescimento de 61,8%, 57,1% e 39,5%, respectivamente.

Já a categoria de Informática que normalmente desperta mais atenção dos consumidores, apresentou uma queda de 20,4% no valor do tíquete médio.

Na divisão por gênero, as mulheres compraram mais das categorias Bebês, com 92%, Moda, com 90% e Beleza e Saúde, com 84%. Já os homens deram preferência a produtos dos setores Hotéis e Viagens e Informática, com 93%, e Bebidas, com 76%.

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são os estados com maior representatividade em vendas, concentrando mais de 50% das conversões.

TÍQUETE MÉDIO

O preço médio dos produtos diminuiu em 9,5% no mês de novembro, em relação ao mês de outubro.

A categoria que registrou a maior queda nos preços foi Eletrodomésticos e Eletroportáteis, com uma diminuição de 16,9% nos valores, e Moda, com diminuição de 13,4%.

De acordo com os dados atualizados da Vindi, plataforma de pagamento online, o cartão de crédito o meio de pagamento favorito dos compradores da Black Friday, com representatividade de 89,1% no total faturado.

MARKETPLACES

Os marketplaces registraram um pico de crescimento de 20,8% no número de pedidos durante o dia 23/11.

Uma análise fornecida pela Anymarket, plataforma de integração de marketplaces, indica que os marketplaces que mais registraram vendas durante entre os dias 23 e 26 de novembro foram B2W, com representatividade de 44% e Mercado Livre, com 31,6% do volume total de vendas geradas.

Considerando apenas o dia 23/11, B2W e Mercado Livre também concentraram o maior volume de vendas, com representatividade de 49,3% e 24,1%, respectivamente.

FERRAMENTAS DE ENGAJAMENTO

Analisando os canais de engajamento, os que registraram maior conversão em vendas na Black Friday, com 34% de representatividade, foram as notificações push, uma comunicação que aparece no canto inferior direito da tela, que tem como objetivo trazer os usuários de volta para o site.

Os chamados e-mails humanizados, canal de e-mail marketing personalizado, obtiveram 32% de representatividade em vendas.

Um case da Social Minner pode ilustrar bem esse tipo de ação. Durante o período da Black Friday, a agência utilizou o e-mail humanizado com dois objetivos centrais.

O primeiro deles teve início na semana que antecedeu o evento para aquecer a base desengajada e o segundo, no dia do evento para incentivar a conversão daqueles usuários  conectados, que visitaram os sites nos últimos meses, mas não compraram nada.

Então, entre os dias 13 e 14 de novembro, foram disparados e-mails humanizados para os usuários que, apesar de cadastrados, não tinham acessado os sites em questão há mais de 90 dias.

Foram quase três milhões de mensagens entregues e a ação registrou taxa de abertura de até 19,6% e taxa de clique (CTR) de até 10,4%.

Já entre os dias 22 e 23 de novembro, a ação foi voltada para a base engajada, já com o foco em vendas. Foi enviado um e-mail para aqueles usuários cadastrados que, apesar de terem visitado os sites nos últimos 90 dias, não tinham realizado nenhuma compra.

Foram mais de 1,2 milhão de disparos e as campanhas alcançaram taxa de abertura de até 35,56% e CTR de até 22,98%. Em períodos comuns, as taxas médias de mercado giram em torno de 18% para abertura e 2,7% para CTR.

FOTO: Mariana Missiaggia/DC