Tecnologia

Adeus, papel. Conheça as etiquetas de preços digitais


Tecnologia aumenta a produtividade de lojas ao evitar preços de prateleiras divergentes do valor do caixa e garantir melhor experiência de compra aos clientes


  Por Italo Rufino 31 de Outubro de 2017 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Recentemente, a rede de supermercados Veratti, que possui seis lojas em Campo Grande, implantou um projeto piloto para aumentar a produtividade de uma de suas unidades.

O foco foi atuar nas etiquetas de preço, confeccionadas em papel e posicionadas nas gôndolas.

Pode parecer um detalhe, mas fazer a gestão de etiquetas de preço em um supermercado dá um trabalho danado.

Os preços costumam ser reajustados quase diariamente, de acordo com nível de estoque, chegada de novos itens e calendário de promoções. Quarta-feira, geralmente, é dia de ofertas na seção de hortifrúti.  

No sistema de etiquetas de papel, diariamente dois funcionários da Verrati tinham a missão de acessar o relatório de preços, imprimir as etiquetas e realizar a troca – gôndola por gôndola, corredor por corredor.

O supemercado mantém um portfólio de 5,6 mil itens, espalhados num salão de 600 metros quadrados.

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A troca de etiqueta demorava cerca de 1 hora e 30 minutos. Também havia o custo de impressão, que somava R$ 350 por mês.

Com tantas substituições manuais, os funcionários acabavam cometendo erros ao posicionar as etiquetas nas gôndolas. Com os preços trocados, havia divergência entre o valor exibido na prateleira e o cobrado no caixa.

“Os erros poderiam desgastar a relação com os consumidores”, afirma Edmilson Veratti, diretor comercial do Veratti.

Nestes casos, o supermercado era obrigado a vender os produtos pelo preço mais baixo. No final do mês, as divergências resultavam em prejuízo médio de R$ 3,5 mil.

ETIQUETA ELETRÔNICA DO SUPERMERCADO VERATTI

Hoje, não é mais assim. Recentemente, a rede Veratti, que deve faturar R$ 100 milhões em 2017, passou a adotar etiquetas eletrônicas.

A inovação, comum em redes europeias, é baseada num display de e-paper, o mesmo material utilizado na tela do leitor de livros digitais Kindle, da Amazon. Com bateria autônoma, a etiqueta é fixada na gôndola sem necessidade de troca regular.

E quais são as vantagens?

Assim como as experimentadas pelo Supermercado Veratti, a tecnologia garante uma ágil troca de preços. A velocidade se deve as etiquetas estarem integradas ao sistema do caixa da empresa. Assim, sempre que há uma alteração de valor, o preço é automaticamente corrigido.

Redes de varejo omnichannel, por exemplo, conseguem integrar os preços das lojas físicas com o do e-commerce.

As promoções também podem ser programadas previamente – ou conforme a atuação da concorrência.

Há também ganhos operacionais. Os gerentes de loja podem, por meio de um chaveiro eletrônico, trocar a tela das etiquetas para visualizar informações de nível de estoque dos produtos. A prática evita rupturas ou falta de abastecimento.

Para o consumidor, além do fim da divergência de preço, há o acesso a informações complementares. As etiquetas podem exibir os principais ingredientes dos produtos, se é orgânico e se possui glúten ou lactose.

As informações complementares costumam ser distribuídas por meio eletrônico pelos fabricantes.

Em lojas que comercializam eletrônicos e eletrodomésticos, por exemplo, também é possível informar na etiqueta as opções de parcelamento e taxas de juros.

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INOVAÇÃO DE ORIGEM EUROPEIA

Em 2014, o Carrefour iniciou um projeto para melhorar a experiência de compra em algumas unidades da marca na França. Por seis meses, a empresa pesquisou tecnologias para varejo baseadas em geolocalização, compras por smartphones e etiquetas eletrônicas. A ideia era integrar diferentes soluções para facilitar a vida do consumidor.

O resultado foi a criação de um aplicativo que possibilita à clientela criar lista de compras, buscar produtos nas lojas e acessar promoções. Ao chegar na loja, o aplicativo informa em quais prateleiras estão os produtos previamente selecionados. A empresa, então, instalou 55 mil etiquetas eletrônicas numa loja da região de Villeneuve-la-Garenne.

MODELO DE ETIQUETA EUROPEU COM INFORMAÇÕES SOBRE PRODUTOS

Quando o consumidor aproxima o celular da etiqueta, acessa diferentes informações sobre os produtos. É possível até visualizar a nota média de avaliação do item, baseada na opinião de outros consumidores.

Com integração ao Facebook, o consumidor pode “curtir” do produto na página do Carrefour.

Por meio da tecnologia, o Carrefour conseguiu obter dados sobre o comportamento dos consumidores na loja física – uma vez que todas as interações são armazenadas numa plataforma digital.

RETORNO DE INVESTIMENTO

No Brasil a maior fornecedora de etiquetas eletrônicas é a Seal Sistemas. Fundada há quase 30 anos, a empresa desenvolve diferentes soluções para o varejo, principalmente em captura de dados e automação para a cadeia de suprimentos.

A empresa atende grandes redes como Ponto Frio e Tenda Atacado.

De acordo com Fernando Claro, vice-presidente de operações da Seal Sistemas, a tecnologia de etiquetas eletrônicas pode ser usada tanto em grandes redes como pequenas e médias lojas.

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Atualmente, a Seal está implementando as etiquetas numa unidade pernambucana de uma das maiores redes supermercadistas do país.

A unidade fatura R$ 4 milhões mensais. No entanto, apenas com descontos por causa de divergência de preço, a rede desperdiça R$ 17 mil mensais.

“O investimento nessa unidade será de 380 mil”, afirma Claro. “Somente a economia com os descontos já pagaria o custo das etiquetas em 20 meses.”

Na unidade do Supermercado Veratti o custo foi de R$ 70 mil. O investimento será pago em 18 meses. Além da economia com o fim da divergência de preços, os colaboradores que eram responsáveis pela troca das etiquetas de papel foram alocados para outras atividades, como abastecimento de loja.

“Agora, com um clique, é possível mudar o preço de centenas de produtos”, afirma Edmilson.

IMAGEM: Thinkstock e Divulgação