Sustentabilidade

São Paulo tem 70 prédios ocupados em situação de risco


A afirmação é do prefeito Bruno Covas, ao comentar o incêndio que fez desabar prédio de 24 andares no centro da capital


  Por Agência Brasil 01 de Maio de 2018 às 13:39

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, disse hoje (1/05) que a cidade tem atualmente 70 prédios ocupados, em situação similar ao edifício  que desabou nesta madrugada após ser atingido por um incêndio.

De acordo com ele, a prefeitura chegou a fazer seis reuniões com os moradores do local, alertando-os sobre os riscos. 

“Nós temos 70 prédios em situação semelhante a esse. São 200 áreas invadidas na cidade de São Paulo, uma situação preocupante. Mas hoje a preocupação zero da prefeitura de São Paulo é o bom atendimento a essas famílias”, disse.

As reuniões, segundo Covas, foram feitas pela Secretaria de Habitação de fevereiro a abril.

“O núcleo de intermediação da Secretaria da Habitação para áreas invadidas fez seis reuniões com eles, alertando desses riscos. A gente tinha uma ação em andamento com o governo federal para receber essa propriedade. A prefeitura não pode ser acusada de se furtar da responsabilidade”, disse.

O prefeito ressaltou ainda que o governo do estado irá fornecer um auxílio aluguel para os moradores do prédio, localizado no Largo do Paissandu. Até a liberação dos recursos, os moradores poderão ficar em albergues da prefeitura.

A orientação, segundo Covas, é que as famílias permaneçam juntas. Na manhã de hoje, a prefeitura verificou que 92 famílias - ou 248 pessoas - estavam morando no prédio.

Segundo o Corpo de Bombeiros, na última vistoria foi identificada uma série de problemas no edifício em relação ao acúmulo de lixo, a materiais combustíveis, e ao impedimento de rota de fuga.

“Isso foi relatado [às autoridades], o Corpo de Bombeiros não tem o poder de vir aqui e fechar o prédio”, disse o capitão Marcos Palumbo, porta-voz dos Bombeiros.

De acordo com ele, cães farejadores estão ajudando nas buscas. Os bombeiros não confirmam o número de desaparecidos. Os bombeiros chegaram a confirmar a morte de uma pessoa que estava sendo resgatada no momento do desabamento, mas segundo o capitão, um “milagre” pode acontecer.

“Os escombros estão em alta temperatura, estamos resfriando. Os cães estão fazendo buscas tentado localizar vítimas. Não vamos usar máquinas para remoção dos escombros para não atingir possíveis sobreviventes”, disse.

OCUPAÇÃO IRREGULAR

O edifício abrigaria as novas instalações da Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura de São Paulo, informou o Ministério do Planejamento.

Responsável por administrar o patrimônio da União, a pasta esclareceu, em nota, que a construção não estava incluída na programação de vendas de imóveis da União por causa do processo de cessão.

De acordo com o comunicado, a construção estava ocupada irregularmente ao ser cedida provisoriamente à prefeitura da capital paulista em 2017.

Tanto a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) do Ministério do Planejamento como a Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo estavam negociando a desocupação e cadastrando os moradores.

“A responsabilidade pelo pedido de reintegração não era exclusiva nem da SPU e nem da prefeitura do município, mas sim de ambas as instituições. Assim, a SPU em parceria com a Secretaria de Habitação de São Paulo estavam atuando para tentar a reintegração amigável do edifício. Já havia sido feito o cadastramento dos ocupantes, que somavam cerca 400 pessoas reunidas em cerca de 150 famílias”, destacou o comunicado.

Segundo o Ministério do Planejamento, o superintendente do Patrimônio da União, Robson Tuma, está desde o início da manhã acompanhando pessoalmente a movimentação no prédio.

A pasta informou que as pessoas cadastradas no momento do acidente já foram encaminhadas à assistência social da prefeitura.

A nota também destacou que o ministério está recadastrando todos os imóveis inativos da União e implementará um plano para o reaproveitamento de cada construção.

 FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil