Sustentabilidade

Inclusão de deficientes intelectuais: missão das Olimpíadas Especiais Brasil


Seis milhões de pessoas no Brasil com deficiência intelectual, superam surdos, pessoas com deficiência física ou outras deficiências. Quantos deles  estão na  sua rede de relacionamentos, e talvez até entre os seus amigos e familiares?   


  Por Charles Holland 23 de Janeiro de 2018 às 19:59

  | Contador, empresário, conselheiro independente de empresas, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC)


Por Charles B. Holland e Teresa Leitão*

A Special Olympics (Olimpíadas Especiais) é  a 2ª maior organização e movimento de esportes do  mundo, e a 1ª entidade de inclusão social de pessoas com deficiência intelectual (causas genéticas, como Síndrome de Down, déficit intelectual, atraso no desenvolvimento, alguns casos de autismo etc. –incidência de  3% no Brasil e no mundo).  

No mundo as Olimpíadas Especiais são enormes com atuação impactante e exemplar na sociedade. Fora do Brasil sempre contam com o apoio de centenas de milhares de voluntários, milhares de  empresas e de governos.

Nestes países as Olimpíadas Especiais têm capítulos e programas vibrantes na maioria das cidades grandes. Merecem elogios as atividades de esportes inclusivos nos EUA, China, Índia, Grã-Bretanha, Cuba, Venezuela, Canadá, México, Austrália e  mais 30 países de médio a grande porte.

Os Jogos Olímpicos Especiais de Verão e de Inverno, realizados respectivamente a cada quadro anos, são sempre o maior evento esportivo e humanístico do ano.

Em 2019 teremos os Jogos Mundiais de Verão em Abu-Dhabi, onde são esperados 7 mil atletas (pelo menos 100 do Brasil),  500 mil espectadores,  6 mil famílias de atletas, vindos de 170 países para competirem em 24 modalidades esportivas.  

Somos pequenos em relação aos outros países.  O limitador  no Brasil atual são os recursos e divulgação do movimento de inclusão e aceitação de pessoas com deficiência intelectual.

O  Estado brasileiro (por enquanto) negligencia a inserção/inclusão social de pessoas com deficiência intelectual via esportes, principalmente a nível federal.

Para esportes de superação e excelência física – atletas olímpicos de verão, de inverno e  paralímpicos  há sempre mais de R$ 500 milhões anuais assegurados por legislações,  através das Loterias esportivas e dezenas de leis,  federal e estaduais para assegurar recursos recorrentes garantidos.

Os recursos da iniciativa privada para as federações esportivas e estes atletas de alta performance são razoáveis. Para atletas com deficiências intelectuais os recursos são ínfimos.  

No mundo a inclusão social de deficientes intelectuais na sociedade é tratada como obrigação. Como melhorar para nivelarmos com o resto do mundo é um desafio. Cada novo voluntário e apoiador ao nosso movimento de inclusão através dos esportes inclusivos faz  diferença.

No Brasil as Olimpíadas Especiais  também oferecem o programa “Atletas Saudáveis” através de  avaliações gratuitas com o apoio do Lions Clubes no Brasil na área de saúde  -audição, visão, nutrição, fisioterapia, saúde geral  e dentária, na base de trabalhos voluntários  de especialistas qualificados, para os nossos atletas.

Somos atuantes em diversas cidades em 7 estados da federação, através de 14 modalidades de esportes olímpicos. Também promovemos clinicas de saúde nos eventos esportivos maiores.        

Por que os esportes para a inserção / inclusão social são  importantes?

Eles geram alterações de cultura, transformando deficiências em habilidades, estigmas em aceitação e isolamento em envolvimento.  É divertido, melhora a autoestima dos indivíduos, aumenta a sua empregabilidade e aceitação. Promove improdutivos ou pouco produtivos  em produtivos ou mais produtivos.

As pessoas com deficiência intelectual têm qualidades importantes, raras nas pessoas sem deficiência.  Eles têm comportamentos geralmente amáveis, pensamentos e atitudes mais verdadeiros.

Por esse motivo, muitas empresas as contratam para tarefas internas que exigem mais relacionamentos internos interpessoais.

Suas atitudes quebram barreiras e ensinam os intelectualmente sem deficiência a serem menos preconceituosos. Desarmam as pessoas  sem deficiência promovendo pelo exemplo, harmonia no ambiente de trabalho.

Os esportes unificados colocam em ambientes divertidos indivíduos com e sem  deficiência intelectual  lado a lado, incrementando o entendimento e o respeito de todos – essas são atividades de inclusão.

Os critérios de premiações nas Olimpíadas Especiais são diferentes – medalhas para os 3 primeiros colocados por categoria e fitas de premiação para os demais participantes, de acordo com os resultados obtidos. São espetáculos lindos e bem concorridos. Todos ganham, sempre!

Diferente dos Jogos Olímpicos, promovemos muitos eventos das Olimpíadas Especiais mensalmente em muitas cidades e estados do Brasil.

Para os atletas com deficiência intelectual, participar em eventos esportivos é sempre importante. Os Jogos Mundiais de verão e de inverno são sediados sempre  em grandes cidades do mundo em base de rodízio (como os Jogos Olímpicos).

São eventos grandiosos com amplo apoio do público, governos e patrocinadores.  Ocorrem a cada quatro anos, como nos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno, e são o segundo maior evento esportivo do mundo.

Em 2014 no Brasil, passamos a contar com o apoio formal dos Lions Clubes do Brasil, viabilizando e fazendo acontecer apoios entusiásticos dos associados dos Lions Clubes – entidades de líderes nas suas comunidades interessados em servir ao próximo. Estamos crescendo exponencialmente  juntos desde então.

Dependemos de recursos e de voluntários.  Em 2018 podemos contar com o seu apoio? Veja mais detalhes em www.specialolympics.org.br e www.facebook.com/OlimpiadasEspeciais/  .

O incremento continuado do nosso movimento de inserção e inclusão social depende de apoio financeiro dos poderes  executivos  - do governo federal, e poderes estaduais e municipais, das empresas e de indivíduos.

*Charles Holland é Presidente do Conselho Curador da Fundação Olimpíadas Especiais (Special Olympics) Brasil e Teresa Leitão, Diretora Nacional e Internacional da Special Olympics Brasil e Internacional.