Sustentabilidade

‘Ilhados’, moradores e comércio clamam pela Ponte de Pirituba


A Ponte do Piqueri (foto) ficou pequena para o grande número de veículos que saem da região de Pirituba. As obras da nova ponte devem começar em 2018


  Por Wladimir Miranda 21 de Junho de 2017 às 09:15

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Moradores e comerciantes de bairros tão populosos quanto carentes como Pirituba, Jaraguá, Parque São Domingos, Vila Jaraguá, Perus e Parada de Taipas, na região Noroeste de São Paulo, estão cansados de ficar “ilhados” e querem a construção, urgente, da Ponte de Pirituba.

Trata-se de uma reivindicação antiga de quem mora na região. Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE -, 200 mil pessoas moram em Pirituba.

Somando a população dos outros bairros próximos, estima-se que mais de 400 mil pessoas sofram diariamente com o deslocamento para a região central e bairros como Pinheiros, Lapa, Sumaré.

Como se trata de uma região com poucas oportunidades de trabalho –formada pelos chamados bairros dormitórios -, a grande maioria da população é obrigada a se deslocar para trabalhar ou estudar.

Atualmente, a única maneira de sair da região é pela Ponte Piqueri. Como o acúmulo de veículos é grande, de manhã e à tarde, na ida e na volta do trabalho, a Ponte do Piqueri fica congestionada. É o martírio de todos os dias.

HISTÓRIA

A região é cortada pela linha sete da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.

A estação Pirituba foi inaugurada em 1865, pela São Paulo Railway, também conhecida como “Ingleza”. Na época, muitos ingleses moravam na Chácara Inglesa.

Na década de 1960, a estação foi reformada, com a construção de passarela e plataforma, entregues aos usuários em 1965.

Pirituba também recebeu considerável número de italianos e portugueses, que constituíram as primeiras famílias do bairro.

Uma fazenda adquirida pelo coronel Anastácio de Freitas deu origem a Pirituba. Posteriormente as terras foram compradas pelo brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar e pela Marquesa de Santos.

Nos últimos anos, proliferaram edifícios na região e a retirada de boa parte das favelas. A população que habitava as favelas foi deslocada para as unidades construídas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), em outros bairros.

Foi em Pirituba que surgiu o São Paulo Athletic Club, time de rúgbi formado por ingleses que trabalhavam na construção da estação de trem. Trata-se do time mais antigo da cidade, que teve como um de seus sócios Charles Miller, paulistano nascido no Brás considerado o pai do futebol no Brasil.

A construção da Ponte de Pirituba, ou Ponte da Raimundo -uma alusão à Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, que liga a região à Lapa -, é um projeto antigo.

Já fez parte dos planos de todos os prefeitos que passaram pela prefeitura paulistana a partir do início dos anos de 1990.

Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta,Marta Suplicy, José Serra, Gilberto Kassab e Fernando Haddad prometeram em algum momento construir a ponte.

O atual prefeito, João Doria, afirma que a passagem que pode desafogar o trânsito local e colaborar para melhorar a infraestrutura do comércio da região vai sair.

A obra integra o chamado “Arco do Futuro”, projeto para o desenvolvimento da região da Marginal do Tietê, proposto por Fernando Haddad (PT), na campanha eleitoral de 2012, ressuscitando a promessa feita por Luiza Erundina, quando assumiu a prefeitura em 1989.

O novo complexo viário foi estimado pela gestão de Haddad em R$ 300 milhões, construído com recursos da Operação urbana Água Branca.

Só a ponte teria um custo de R$ 70 milhões. O valor da obra sobe por causa da construção de obras auxiliares, como drenagem urbana e readequação da via, desde as imediações do Tietê Plaza Shopping, no lado de Pirituba, até a Estação Lapa, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Quando da apresentação do projeto, a prefeitura informou que, para ser viabilizado, teria de contar com a colaboração das incorporadoras em lançar empreendimentos antes de iniciar o leilão dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), que darão sustentação financeira à obra.

Os Cepacs são papéis negociados na Bolsa de Valores que dão ao proprietário o direito de construir prédios com área maior do que o comum da região da Operação Urbana – no caso – a Água Branca, Perdizes e Barra Funda.

A venda dos Cepacs é realizada por meio de leilões.

A Distrital Noroeste da Associação Comercial de São Paulo – ACSP -, abraçou a causa de moradores e comerciantes.

PAIXÃO (à esq.), da ACSP: OBRA É PRIORITÁRIA

 

Valnoy Pereira Paixão, diretor superintendente, afirma que todos os outros problemas que afetam quem mora em Pirituba e nos outros bairros ficam em segundo plano diante das dificuldades enfrentadas no dia a dia para se locomoverem para o trabalho ou estudo e na volta para a casa.

“Claro que temos outras questões a serem resolvidas aqui, como falta se segurança, calçamento precário, vendedores ambulantes irregulares e iluminação ruim. Mas o que nos incomoda mesmo e nos angustia é o sistema viário, o nosso acesso para o centro da cidade e bairros como a Lapa, Perdizes e Pinheiros. Temos de resolver esta questão com urgência. Estamos ilhados", afirma.

OBRAS

Marcos Penido, Secretário Municipal de Serviços e Obras, disse ao Diário do Comércio que as obras da Ponte de Pirituba começarão no início de 2018. O projeto está na lista de espera para ser votado na Câmara Municipal de São Paulo.

Os leilões dos Cepacs precisam da aprovação do legislativo municipal. Penido se recusa, porém, a falar sobre os custos da construção da ponte.

“Não dá para fazer uma previsão de gastos. Uma obra como esta é muito complexa. O que é certo é que esta gestão vai construir a Ponte de Pirituba", afirma.

FOTO: Heitor Giamondo/Divulgação