Sustentabilidade

Governo aposta em moradia para revitalizar Cracolândia


Parceria público privada no centro de São Paulo acelerou a construção de apartamentos de interesse social em terreno de 18 mil metros quadrados da antiga rodoviária da Luz


  Por Mariana Missiaggia 24 de Outubro de 2017 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Além de promover a moradia para cinco mil paulistanos, uma parceria público-privada (PPP) entre o governo do Estado, prefeitura e a iniciativa privada para a construção do Complexo Júlio Prestes tem como missão transformar uma das regiões mais degradadas do centro de São Paulo.

Desde junho passado, a Secretaria Estadual da Habitação trabalha na construção de 1,2 mil apartamentos em um terreno ao lado da estação Júlio Prestes, que devem ser entregues até março de 2018.

“Trata-se de uma região com muito movimento durante o dia e nenhum a noite. Somente a moradia pode revitalizar essa área”.

É o que afirma Rodrigo Garcia, secretario do estado da habitação. Na última segunda-feira (23/10), Garcia se reuniu com o Conselho de Política Urbana (CPU), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e discorreu sobre o projeto que deve movimentar a região da Cracolândia.

PROJETO

Com diretrizes do Plano Diretor Estratégico (PDE), sancionado em 2014, o complexo está situado numa área demarcada como Zona Especial de Interesse Social (Zeis).

O projeto também terá a chamada fachada ativa com lojas no térreo e habitação nos pisos superiores com o intuito de estimular a ocupação do espaço público.

Para Garcia, a entrega dos prédios populares irá trazer, rapidamente, novos investimentos para a região, assim como a abertura de mais serviços e comércio.

O secretario também acredita que o aumento na circulação de pessoas e o trabalho ativo da rede de assistência social do governo irão inibir o movimento de crack nas redondezas.  

O conjunto também abrigará a nova sede da escola de música Tom Jobim e uma creche para 200 crianças até 2019.

Direcionado para o público de baixa renda, com renda familiar de um a cinco salários mínimos, a proposta é que 80% dos apartamentos sejam destinados a pessoas que ainda moram fora do centro, mas trabalham na região. Outros 20% irão para quem já mora e trabalha na região central. As parcelas mínimas serão de R$ 239.

Veja a evolução da construção das primeiras 1,2 mil unidades do Complexo Júlio Prestes: 

 

 

 

Como parte da PPP, as primeiras 126 unidades previstas no projeto foram entregues em dezembro do ano passado, na rua São Caetano, a alguns metros da antiga rodoviária da Luz, onde o complexo está sendo levantado.

As residências foram construídas em 11 meses e abrigam famílias removidas dos baixos da ponte estaiada Orestes Quércia, na zona norte, que passou por reintegração de posse em 2013.

A escolha das famílias foi realizada em parceria com a Prefeitura de São Paulo, que doou o terreno.

RESGATE

Degradada desde o final da década de 90 pela presença usuários de drogas, a área que abriga a Praça Júlio Prestes passou a ser conhecida como Cracolândia, e já passou por diversas tentativas de revitalização.

O terreno em que o complexo está sendo levantado é o mesmo que recebeu o antigo Terminal Rodoviário da Luz, inaugurado em 25 de janeiro de 1961, durante as comemorações do aniversário da cidade.

A abertura do terminal causou algumas mudanças na área, que até então, mantinha preservado seu uso residencial. De uma hora para outra, o entorno viu-se tomado por um intenso tráfego de ônibus e táxis.

Aos poucos, o movimento expulsou moradores e os prédios vizinhos passaram a ser ocupados por pequenas hospedarias e hotéis.

O esvaziamento da região se tornou ainda mais intenso em 1977, quando algumas linhas foram transferidas para o Terminal Jabaquara.

Em 1982, a inauguração da Rodoviária do Tietê tornou a antiga rodoviária completamente inútil e a região começou a ser tomada por moradores de rua até evoluir para a Cracolândia.

FOTO: Divulgação