Sustentabilidade

Estudo que relaciona carne ao câncer não deve afetar o consumo


Linguiça, bacon, embutidos e o churrasco entraram na lista de cancerígenos da OMS. Entidades do setor defendem novas pesquisas, já que o alimento também tem valores nutricionais


  Por Redação DC 26 de Outubro de 2015 às 18:05

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado nesta segunda-feira (26/10), sobre o potencial cancerígeno da carne processada, não deve afetar o consumo do produto no Brasil, na opinião do diretor-executivo da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Nilo Chaves de Sá. 

"A proteína animal é uma fonte importante para a nutrição humana", disse.

Na avaliação do diretor da ABCS, há outros estudos científicos que comprovam os benefícios da carne para a saúde humana que devem ser levados em consideração. 

"Respeitamos muito a OMS e apoiamos a ciência, mas parece que ainda é necessário mais pesquisa para que seja algo definitivo", disse. 

"É preciso continuar estudando. Se algum dado comprovar que é necessário uma mudança no processo, por exemplo, nós vamos adotar", afirmou.

Segundo a OMS, o consumo de 50 gramas de carne processada diariamente eleva em 18% a possibilidade de a doença afetar o intestino grosso e o reto. 

Na lista de produtos que podem ser cancerígenos estão salsichas, presuntos e alimentos que passam por processos para acentuar o sabor ou aumentar o tempo de conservação.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que quer analisar o estudo completo antes de se pronunciar. A BRF informou que não vai se posicionar.

No segmento de carne bovina, a Minerva Foods afirmou que, por questões de agenda, não poderia responder à reportagem em tempo hábil e a Marfrig também disse que não vai se posicionar.

CARNE VERMELHA: RISCO PROVÁVEL

O estudo da OMS afirma que as carnes processadas – como salsicha, presunto, linguiça, hambúrguer e bacon – foram classificadas como alimentos cancerígenos para seres humanos. Já a carne vermelha, incluindo partes do boi, porco, carneiro, bode e cavalo, foi classificada como alimento de provável risco cancerígeno.

A decisão foi tomada pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC, na sigla em inglês) e levou em consideração evidências de que o alto e frequente consumo de carne processada provoca câncer colorretal. 

“Especialistas concluíram que, para cada porção de 50 gramas desse tipo de carne consumida todos os dias, o risco de câncer colorretal aumenta em 18%”, informou a agência.

As classificações foram definidas com base em mais de 800 estudos que tratam da associação de cerca de 12 tipos de câncer ao consumo de carne vermelha ou de carne processada em países e populações de dietas variadas. As evidências mais fortes, segundo a IARC, vieram de um grupo de estudo conduzido nos últimos 20 anos.

Ainda de acordo com a agência, braço da OMS, as descobertas reforçam a orientação do consumo limitado de carne entre humanos, sem deixar de levar em consideração que o alimento tem valores nutricionais.

FOTO: Agência Brasil

*Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil