Sustentabilidade

A trajetória de sucesso dos jovens que passaram pelo Camp Centro


Instituição de assistência social e profissional, mantida pela Associação Comercial de São Paulo, já atendeu mais de 9 mil pessoas em 26 anos de atuação


  Por Italo Rufino 31 de Julho de 2019 às 10:30

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Há poucos meses, o consultor digital Thiago Pena realizou um sonho antigo: viajar para a Europa. Ele conheceu Paris, Londres e Amsterdã. Entre os passeios de que mais gostou, Thiago destaca as visitas ao Museu do Louvre, à Torre Eiffel e aos parques franceses da Disney.

Embora não se identifique como baladeiro, ele também aproveitou para conhecer a noite parisiense.

“Acredito que o trabalho faz nascer sonhos”, diz ele. “Você conquista sua casa, carro e depois quer conhecer outros lugares, tanto no Brasil quanto no exterior, o que é uma experiência desafiadora”.

Há dez anos, era difícil Thiago pensar que poderia, de fato, passear pela Champs-Élysées. Filho de mãe solo e criado na periferia de São Paulo, ele começou a trabalhar aos 13 anos, em um restaurante da zona leste da capital, para ajudar a família – ele tem dois irmãos.

A virada na vida aconteceu quando ele ingressou em um curso do Camp Centro, instituição que presta serviços e desenvolve ações sócio assistenciais de forma gratuita para adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade ou risco social.

THIAGO PENA: LÍDER DO PRIMEIRO GRUPO
LGBT DA OTIS ELEVADORES 

Mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o Camp atua promovendo a aprendizagem e melhoramento profissional. A instituição possui parceria com 16 empresas.

A Otis Elevadores, multinacional fabricante de elevadores e escadas e esteiras rolantes, é uma das parceiras do Camp.

Em 2011, a empresa contratou Thiago como aprendiz de auxiliar de almoxarifado. Desde então, ele continua na empresa acumulando promoções.

Neste período, se graduou em administração e fez uma MBA em gestão estratégica de pessoas.

Além das funções relacionadas ao cargo, Thiago lidera o Elevar, grupo de diversidade e inclusão da Otis na América Latina – e o primeiro núcleo voltado à população LGBT em 165 anos da Otis (veja o vídeo da campanha). 

“O Camp foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, diz ele. “Você passa a se relacionar com pessoas bem colocadas profissionalmente, o que te inspira a crescer por meio do trabalho”.

Thiago é um dos mais de nove mil jovens que já passaram pelo Camp Centro.

Além da intermediação de aprendizagem, a instituição oferece serviço de convivência, em que jovens recebem orientações sócio educacionais por quatro meses.

Há também atendimento para as famílias.

"Trabalhamos em conjunto com a família do aprendiz", diz José Alarico, presidente do Camp Centro. "A família precisa caminhar junto com o jovem".

De acordo com Bárbara Junqueira, psicóloga da instituição, quando identificada a necessidade, o Camp Centro também encaminha os jovens e familiares para tratamento psicológico em redes públicas ou clínicas mantidas por faculdade.

Devida à complexa tarefa de atender jovens em situação de vulnerabilidade, as profissionais do Camp Centro também precisam de apoio em saúde mental – assim como toda profissional de saúde e assistência social que lida pessoas expostas a risco social. No entanto, esse apoio ainda não acontece no Camp Centro.

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RESPONSABILIDADES

Há três anos, a Karolina Jhennifer de Souza, a moça na foto que abre essa reportagem, passou por um dos maiores desafios da sua vida: uma gravidez precoce.

Na época, ela já era aprendiz do Camp Centro. Confusa com a situação, a jovem recebeu acompanhamento psicológico, suporte e apoio das profissionais da instituição.

Mesmo após o fim do contrato de aprendizagem, Karolina continuou sendo encaminhada para entrevistas de emprego por intermédio do Camp Centro.

LORENNA MENEZES: CASA PRÓPRIA ANTES DOS 30 ANOS

Hoje, aqueles receios ficaram para trás. Cheia de metas, a jovem trabalha como auxiliar numa empresa de contabilidade.

Cursando graduação em ciências contábeis com bolsa de 60%, Karolina estuda inglês e pretende trabalhar na área de auditoria. No longo prazo, ela pretende cursar uma faculdade de direito.

Com 21 anos, ela afirma que o Camp contribuiu muito para se manter firme em sua carreira profissional.

“Mudou totalmente minha visão sobre o mercado de trabalho, planos futuros e até mesmo qualidade de vida”, diz Karolina.

A mesma gratidão é expressada por Lorenna Menezes, que cursou o Camp há mais de 10 anos. Na época, ela almejava independência financeira.

Antes de conquistar o primeiro emprego com carteira assinada, teve aulas de língua portuguesa, psicologia, informática e comportamento em ambiente corporativo na instituição.

Logo na sequência, ela se tornou aprendiz na Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São de Paulo. Um ano antes do contrato terminar, ela foi promovida e contratada na área de atendimento ao cliente.

Nove anos depois, com graduação e pós-graduação em psicologia no currículo, Lorenna continua na mesma empresa.

Atualmente, ela é analista sênior de gestão de pessoas.

Com renda própria, ela paga o financiamento da casa que comprou para morar com a mãe, no bairro de Arthur Alvim, na zona leste. O imóvel será quitado no início de 2021.

Mesmo após quase uma década, Lorenna ainda guarda lembranças divertidas do Camp, como quando seus amigos viviam reclamando das refeições servidas no local, mas sempre limpavam o prato.

“Também havia uma grande felicidade quando um de nós era contratado por alguma empresa”, recorda ela.

FOTOS: Arquivo pessoal