Opinião

Um papel e um sentido para a História


Para a maior parte das pessoas, História é o estudo dos acontecimentos passados, algo periférico na formação pessoal e profissional dos jovens. Mas esse ponto de vista precisa ser reavaliado em um país atingido por séria crise ética e moral


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 05 de Fevereiro de 2019 às 19:53

  | Historiador


 

Quando se critica o que vem acontecendo com o ensino de História no País, a tendência da maioria é pensar que há coisas mais urgentes e importantes para se preocupar, até mesmo na educação: seja pelas distorções, no caso da ideologia de gênero; seja pelo fraco desempenho dos alunos em conhecimentos básicos, particularmente de matemática e linguagem.  

Para a maior parte das pessoas, História é o estudo dos acontecimentos passados, algo periférico na formação pessoal e profissional dos jovens. Confunde-se mesmo o culto cívico com História, reduzindo-a dessa maneira a cultura meramente laudatória.

Mas esse ponto de vista precisa ser reavaliado em um país atingido por séria crise ética e moral.

Afinal de contas, como se há de pedir aos membros de uma sociedade a adesão às normas da vida em comum sem que eles tenham uma visão, não idêntica, mas comum?  

Ensina-se História para educar as pessoas, todas elas, enquanto membros de uma sociedade, não necessariamente para formar historiadores.

Não seria um exagero afirmar que a História é a base da educação em uma sociedade. Como também não é um exagero dizer que o Brasil vive um processo de deseducação que começa pelo desensino da História.

Preenchem-se currículos da disciplina com assuntos que nada têm a ver com História.  Os livros didáticos tratam de maneira superficial, ou simplesmente ignoram, os acontecimentos históricos da formação e evolução do País, apresentando-se em seu lugar “situações sociais” com o intuito de apontar diferenças e injustiças segundo um viés ideológico.   

Convém esclarecer que o desensino da História se aplica à sociedade como um todo, na medida em que vão se sucedendo gerações às quais ela não foi ensinada.

No Brasil de hoje, os pais das crianças pouco podem fazer a respeito, pois foram expostos a processo semelhante em meados dos anos 80, desconhecendo ou conhecendo pouco da História do País.

A lacuna geracional de transmissão de conhecimentos e valores está se ampliando e, a continuar esse processo, em algum tempo acontecerá a ruptura completa com o surgimento de uma sociedade no Brasil sem memória alguma, pronta a ser formatada pelos engenheiros sociais da época.  

Daí não ser uma surpresa que, há décadas, isso venha sendo trabalhado pela esquerda, justamente aquela que, cinicamente, prega que educar é construir a cidadania.

Que cidadania? Como pessoas sem identidade, solidariedade e compromissos exercerão plenamente uma cidadania?

Dificilmente o farão. O que é de se esperar é que se abandonem a um estado de incivilidade no qual só há lugar para desejos, impulsos e percepções individuais, como vem ocorrendo em vários países onde as sociedades estão fenecendo, tanto demografica como culturalmente. Prontas para serem substituídas.

Mas não parece que esse seja o caso do Brasil, onde a sociedade civil dá seguidas e inequívocas mostras de vitalidade. Com efeito, sociedades dinâmicas como a brasileira precisam de um Estado funcional consubstanciado pela ideia de Nação.

A História precisa voltar a ser ensinada no País para educar o País.

Esse é o papel da História pelo qual a sociedade encontra seu sentido.

 

IMAGEM: Reprodução/YouTube/TV Poliedro