Opinião

Um futuro para o Estado


Não existe uma crise do Estado, mas sim uma crise no Estado que é o descrédito da política


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 03 de Janeiro de 2019 às 18:31

  | Historiador


É comum às democracias modernas, particularmente nos regimes presidencialistas, o início de um governo atrair grande atenção da sociedade.

Mais do que midiático, o fenômeno expressa a importância que atribuímos à administração do Estado pelo poder Executivo.  

Mesmo quando estamos fartos da interferência do Estado em nossas vidas é para ele que nos voltamos, principalmente através das eleições, para colocar-lhe limites.  Afinal, como ensinou Hayek, não é a fonte de poder, mas a limitação do poder que impede que ele seja arbitrário.

O Estado continua necessário e atual como nunca, inexistindo qualquer crise de sua legitimidade. O que acontece na maioria das democracias é uma crescente exigência da sociedade pelo melhor funcionamento do Estado, o que depende da política.

Trocando em miúdos, não existe uma crise do Estado, mas sim uma crise no Estado que é o descrédito da política.

Muitas razões podem ser apontadas para essa crise da política ao redor do mundo, como corrupção, falta de representatividade e quebra da solidariedade nacional, as mais visíveis dentre outras.

Mas não pode se esquecido o que vem ocorrendo tanto nas democracias mais avançadas como nos países em desenvolvimento que é a extrapolação da ação política.

Sendo o parlamento o local por excelência da ação política, não é difícil entender a perda de prestígio, credibilidade e legitimidade que sofre quando não consegue estabelecer e perseguir objetivos comuns.

Sobre isso também alertou Hayek, apontando o que acontece quando a democracia dá início a uma linha de planejamento cuja execução exige um consenso muito maior do que na realidade existe. Precisamente no que o protossocialismo da socialdemocracia insistiu durante décadas e agora está desmoronando por toda parte.

O futuro do Estado passa por essa questão, a do resgate da política.

Mais do que a sua regeneração, a política precisa se recolocar dentro dos limites do possível, como tal percebido pela sociedade.

FOTO: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

 

 

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