Opinião

Um dia de filme


O Supremo Tribunal Federal afastou unanimemente a ameaça que pairava,  mais uma vez, sobre a Operação Lava-Jato


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 14 de Setembro de 2017 às 11:18

  | Historiador


A realidade suplanta a ficção quando tramas que desafiam qualquer autor, diretor ou roteirista simplesmente acontecem. É o que o Brasil está vivendo.

Tivesse alguém produzido, ou meramente proposto o roteiro de um filme como “Polícia Federal - a Lei é para Todos”, alguns anos atrás, como ficção político-policial, no modelo das séries norte-americanas do gênero, certamente teria encerrado sua carreira.

Partindo de uma ficção, a de que a lei é para todos no Brasil, o filme se fez documentário do maior caso de corrupção política do mundo.

Seu sucesso está garantido, apesar do véu de silêncio com que querem encobri-lo. Uma ou outra falha nos detalhes operacionais não comprometem a qualidade desse filme que expõe a extensão da corrupção no País. E a arrogância dos que a praticam.

E que explora muito bem o fetiche da intimidação que as esquerdas ainda exercem sobre a sociedade brasileira. O que seria ficção em um Estado que se diz de Direito se torna realidade em um país governado sem qualquer referência ética: a possibilidade de um investigado ser subtraído à ação da lei pelo enfrentamento.  

Felizmente, a realidade é mais complexa do que os eventos que nos impactam, muitos deles produzidos justamente para causar os efeitos desejados pelos peritos da manipulação e da desinformação.

A realidade depende também de nós, das nossas percepções, idealizadas ou não, metabolizadas além da mera materialidade de fatos e acontecimentos.

O que as pessoas de bem, a maioria da sociedade, sentem em relação aos crimes praticados por políticos, empresários e servidores também conforma essa realidade. E impõe fatos, poderosos, portadores até de mudança.

Alguns se deram ontem, quarta-feira, dia 13 de setembro.

O Supremo Tribunal Federal afastou unanimemente a ameaça que pairava,  mais uma vez, sobre a Operação Lava-Jato, colimando agora nada mais, nada menos do que o próprio Procurador-Geral da República, tendo na véspera a mais alta corte do País autorizado investigação, mais uma vez, contra o atual Presidente da República.

O Tribunal Regional Federal da 4a Região, em Porto Alegre, corte de segunda instância, sinalizou que será ainda mais rigoroso com o ex-ministro chefe da Casa Civil que enfeixou poder ilimitado num tempo que parece afortunadamente longínquo pela distância que o País tomou de tudo aquilo.

E em Curitiba, perante um juiz de primeira instância, o ex-presidente da República pivô de tantos escândalos não conseguiu protagonizar mais um, como é de seu feitio. Serenamente, impôs-se a Lei, dentro e fora da sala de audiência.

Ontem, de fio a pavio, a Lei seguiu seu rumo no Brasil.

Um dia de filme, sem dúvida, que continuará rodando.

FOTO: Valter Campanato/Agência Brasil

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