Opinião

Turma da 'Faria Lima'


Essa turma está inclinada a disponibilizar mundos e fundos para uma terceira via que seja capaz de obedecê-la mais à frente, restabelecendo o sistema e devolvendo segurança jurídica e paz social.


  Por Paulo Saab 08 de Dezembro de 2021 às 19:20

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


É possível que você, leitor, jamais tenha ouvido falar da “Turma da Faria Lima”. Pouca gente, fora os que dela participam, ouviu. Por isso, não se sinta marginalizado com o que ocorre nas entranhas do poder no país. Todos os que não pertencem à algum tipo de turma, assim estão.

A da Faria Lima é especial, porque é quase secreta. Dela fazem parte os maiores e melhores nomes da vida financeira do país. Notadamente, a que gosta de especular no campo financeiro e no da política, para assegurar ambas as existências.

O nome se refere à avenida que leva o nome de um dos melhores prefeitos que a cidade de São Paulo já teve, onde hoje se instalam e especulam, ops, debatem, os rumos nacionais, quem tem capacidade de influenciar pela ordem financeira os destinos do país.

Pois bem. A turma da Faria Lima anda tratando de cuidar de seus interesses presentes e futuros, e temerosa da possível volta da esquerda ao poder central, ao comando dos cofres públicos federais, e ainda, preocupada com a insegurança jurídica que o STF trouxe ao país para combater Bolsonaro, começou a achar que é melhor uma 'terceira via'.

E que via seria esta? Alguém, claro, que não sendo muita esquerda, faça parte do entendimento de como funciona o “sistema” de poder no país. Ou seja, onde a turma da Faria Lima manda, e os comandantes dos poderes obedecem.

Aqui cabem os representantes de qualquer lado ideológico, que atrás destes rótulos coloridos defendem mesmo sua bandeira maior: o dinheiro público em seus bolsos.

Sempre foi assim por aqui, nas Capitanias Hereditárias, e acentuou-se durante o período do lulopetismo onde, sob a capa de esquerda e distribuição de recursos brasileiros às ditaduras amigas e aos cofres partidários e de seus dirigentes e amigos, a turma da Faria Lima entupiu-se de ganhar dinheiro manipulando a vida financeira (e econômica também) do país.

Incluam-se aqui nomes famosos do mundo mágico das colunas sociais, dos benfeitores das ações sociais escoradas na promoção de seus empreendimentos, e figuras de destaque tidas como líderes disso ou daquilo, na pena amiga da mídia engajada e beneficiária das verbas publicitárias desses negócios que não paravam de se expandir.

Até que, por um acidente de percurso fora dos planos desse sistema todo, montado e interligado, para benefício comum de seus integrantes, independentemente da faceta ideológica, onde conviviam harmonicamente, o povo elege um “tosco” na visão dos derrotados, que enfia o pé no freio dessa máquina, desarticula o fluxo escuso ou menos nobre da moeda, e põe para correr todos que de um jeito ou outro mamavam no erário.

Insegurança jurídica no Patropi. Caos nas terras verde-amarelas, antes salpicadas de vermelho. Pânico para quem, como a turma da Faria Lima, viu seus lucros e benefícios começarem a minguar.

A pandemia veio a calhar para dar pano de fundo aos que, mais do que querer, precisam devolver às suas linhas de comando o mar de dinheiro que os sustentava e ao qual se acostumaram, tornando-se dependentes.

Enfim, a turma da Faria está inclinada a disponibilizar mundos e fundos para uma terceira via que seja capaz de a ela obedecer mais à frente, restabelecendo a forma de existência do sistema, e devolvendo a segurança jurídica e a paz social. E os políticos que debatam se vão dar viés de esquerda, de direita, pouco importa - desde que o fluxo volte a aba$tecer as artérias dos que perderam a bocona.

E como existe muito meio de comunicação que se deixa seduzir pelo doce som das moedas esse nome escolhido para ser a via, começa a ganhar projeção e manipulações que indicam sua viabilidade, e o apontam como solução para a “segurança jurídica e a paz social” do Brasil a partir das eleições de 2002.

Faltam duas coisas: avisar quem vota que deve ser assim, e perguntar, afinal: alguém mais aí pensa no Brasil?

E, claro, deixando no ar, sem indicação, indagar do leitor quem foi a via escolhida pela turma da Faria Lima. Fácil, se você for bom observador da cena nacional e do movimento político e da mídia comprável. Não é nem palpite seu. É certeza. O Brasil precisa merecer para se tornar melhor. 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio







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