Opinião

Terceiro time na disputa


Vivemos tempos de inquestionável pobreza de quadros, de lideranças, de propostas definidas, em todos os segmentos


  Por Aristóteles Drummond 11 de Abril de 2018 às 11:26

  | Jornalista


Na primeira eleição direta que tivemos após a Constituinte, em 1989, o numero de candidatos representativos impressiona,  pela disputa final com dois dos nomes menos expressivos da longa lista.

Muita gente não sabe que o terceiro colocado foi o emblemático Leonel Brizola, o quarto lugar praticamente empatados dois ex-governadores de São Paulo, Mário Covas e Paulo Maluf, em sexto o líder liberal Guilherme Afif Domingos , que surgia como o verdadeiro novo na  disputa. Em sétimo o ex-vice-presidente e ex-governador de Minas Aureliano Chaves e em ultimo o deputado Ulisses Guimarães, que teve votação de deputado.

Fernando Collor, por um partido inexpressivo e Lula da Silva, na terceira tentativa é que foram para o segundo turno. Com um bom programa, levando o Brasil a inequívocos avanços no trato dos assuntos econômicos, o presidente Fernando Collor acabou sendo vítima de um círculo íntimo imaturo e sem dimensão do que é a Presidência da República. Mesmo assim seu último ministério pode ser considerado um dos melhores da história republicana.

Agora estamos assistindo a uma lista enorme de pretendentes para a eleição deste ano. Ocorre que, diferentemente de 1989, a lista é muito fraca em representatividade popular. O Governador Geraldo Alckmin se destaca pela carreira, mas na eleição majoritária é exigido um carisma que  não possui e deu prova quando da tentativa anterior. O PSDB acertou com FHC, pois a candidatura foi montada pelo experiente mineiro Itamar Franco. No mais, as candidaturas de Serra e Alckmin foram inviáveis desde o nascedouro e a de Aécio vítima de um erro em Minas Gerais e o discurso correto muito tarde.

Vivemos tempos de inquestionável pobreza de quadros, de lideranças, de propostas definidas, em todos os segmentos. O ex-presidente Lula, desgastado pelos malfeitos em apuração, é uma liderança em busca de um sucessor. FHC nunca se preocupou com isso, prova está na facilidade com que endossou as candidatura inviáveis de seu partido.

Parece ser aí que reside o perigo. E a possibilidade de um ano difícil na retomada do crescimento pelas naturais reservas dos investidores em potencial. Afinal o mundo e a América Latina em particular tem sofrido com populismo retrógrado. Argentina, Chile, Colômbia e México tiram partido deste quadro, livres desta política menor, e crescem.

Procura-se um nome com um programa que una!

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio