Opinião

Sobreversão


Dilma Vana Roussef não mudou. Como subversiva afrontou o Estado e como sobreversiva insurge-se contra as responsabilidades do cargo que exerce


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 08 de Dezembro de 2015 às 12:25

  | Historiador


A palavra do título não existe na língua portuguesa. É colocada aqui como um neologismo que serve de antítese à subversão, esta sim um verbete constante do Aurélio, do latim subversione, o ato de subverter, cuja primeira acepção é a insubordinação às leis ou às autoridades constituídas.

Subversão foi preocupação exclusiva dos milicos na tal da ditadura. Subversivo foi apanágio retroativo dos habilitados a polpudas indenizações. E subverter deixou de ser o que sempre foi – voltar de baixo para cima – para se tornar o que o PT faz enquanto no poder: destruir de cima para baixo “o que está assente”.  E não há nenhuma originalidade em apontar isso, dando-lhe nome próprio.

Um artigo submetido ao Wikiprojeto Ciências Sociais define a sobreversão como processo “que utiliza os meios do próprio sistema para moldá-lo segundo um conjunto de vontades”.

A sua mensagem deve parecer “familiar aos destinatários”, sem “chocar o interlocutor”; contemplando “o código de leis e da ética vigente”; e utilizando para isso  de técnicas “como da propaganda, do design gráfico, do cinema, videoclips e outros meios de comunicação”.

Teoria à parte, a práxis revolucionária no Brasil, subversiva ou sobreversiva, não importa o seu sentido, é liminarmente clara: “destruir a ordem política, social e econômica estabelecida”. Já o que ela vai colocar no lugar não se sabe. Mas a cada dia que assistimos impassíveis à deterioração da sociedade causada pela depredação desta República vamos marchando para um não sei o quê de contornos sombrios onde o futuro será perdido.

Atenhamo-nos aqui à ordem econômica que vai sendo destruída. Se era péssima a relação entre os 2o trimestres de 2014 e 2015, com a agropecuária ainda carregando o piano graças a um crescimento de 1,8%, ao mesmo tempo que o PIB despencava 2,6%, a indústria 5,6%, os serviços 1,4%, o consumo das famílias 2,7%, o investimento 11,9%, e as despesas de governo recuavam apenas 1,1%, a situação se torna escandalosa, para dizer o mínimo, quando se trata da comparação entre os 3o trimestres deste ano e o anterior.

Neste caso, como era previsto o desastre alcança a agropecuária que se retrai em 3,8%, enquanto a queda se acentua no PIB em 4,5%, na indústria em 6,7%, nos serviços em 2,9%, no consumo das famílias em 4,5% e no investimento em 15%, este último o número que esboça a perda do futuro.

Mas o escândalo que salta aos olhos nessa série de comparações entre os 3o trimestres é o consumo do governo, único item em que a queda não se agrava, sendo em 2015 de apenas 0,4% em relação ao período correspondente em 2014. Apressadamente, infere-se que o governo, ao longo deste dificílimo ano de 2015, aumentou suas despesas. Será possível?

É! Do 1o para 2o trimestre, os gastos do governo já haviam aumentado 0,7%, e do 2o para 3o trimestre mais 0,3%, e sabe-se lá o que será revelado no final do ano. É assim. Em meio à condenação das pedaladas pelo TCU, à gravíssima crise fiscal e ao clamor da sociedade saturada de impostos pela redução de gastos públicos, o governo promove um aumento de despesas que se fosse virtuoso não dobraria a queda do PIB e se fosse eficaz não teria agravado a recessão. Como não é uma coisa nem outra, o que é então?

Se esse aumento de gastos do governo em 2015 não melhorou os serviços públicos, se não estimulou a economia, se não impulsionou a produção, para que serviu? Só para uma coisa, alavancar o poder de compra política do governo, resultando na aprovação da revisão da meta fiscal que acomoda as “pedaladas” em um déficit primário de 2,03% do PIB, legalizando-as, e na inclusão da CPMF no relatório de receita do Orçamento de 2016, desprezando sua aprovação formal pelo Congresso. Pode haver caso mais evidente de destruição da ordem de um país? Dificilmente.

Dilma Vana Roussef não mudou. Como subversiva afrontou o Estado e como sobreversiva insurge-se contra as responsabilidades do cargo que exerce. Da pior forma, vamos descobrindo que somos governados pela Dilma que sempre foi, que não respeita ninguém e coisa alguma, a começar pela Lei, que abertamente admitiu ter violado (“Paguei sim”, Dilma Roussef, 7 de dezembro de 2015).

Ela é que não descobriu que o País mudou e haverá de responsabilizá-la pelo desrespeito ao Brasil e às suas instituições.