Opinião

Só vai restar o kit suicídio?


O Brasil só chegou aos desatinos em que se enfiou por obra e conta da desastrosa gestão econômica do segundo período Lula e do primeiro de Dilma


  Por Paulo Saab 09 de Setembro de 2015 às 17:58

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Comentei aqui semana passada palestra que assisti do economista Ricardo Amorim, na qual os números, dados, comparações, análises, referentes à economia brasileira, no período de gestão da governanta Rousseff, demonstram de forma cabal como e porque a própria levou o país, com apoio do PT, à mais grave crise econômica do país em todos os tempos (incluindo a crise política também).

Hoje pela manhã tive a oportunidade de assistir à palestra do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que, por outro enfoque e com comparações internacionais, demonstrou, novamente, com rigor científico, que o Brasil só chegou aos desatinos em que se enfiou por obra e conta da desastrosa gestão econômica do segundo período Lula e do primeiro de Dilma.

O rigor das análises é científico. Não se trata de achismo ou viés ideológico. São números, fatos, dados, estatísticas, comparações que revelam o verdadeiro desastre a que o país foi sendo levado e nele continua, em decorrência da administração econômica e financeira do PT, notadamente, da governanta.

Amanhã devo assistir a outra palestra de economista renomado.  Será a vez de ouvir o professor Samuel Pessoa, da FGV. Estou onde puder obter informações que me expliquem como fiquei mais pobre nos últimos anos e porque o Brasil está regredindo à era pré-real a passos largos. Preciso entender.

Não espero visão diferente, embora seja muito importante conhecer os estudos de economistas diferentes. Também ouvi o professor Renaldo Gonsalves, da PUC. 

Caso o saldo final das informações e análise dos quatro grandes economistas (fora o que leio nos jornais, revistas) apresentarem o mesmo cenário sombrio com perspectivas de melhora que passam, necessariamente, pela mudança gerencial do país, teremos, ou ao menos eu terei, duas alternativas:

Alternativa 1: temos que mostrar a todos os brasileiros a necessidade de nova direção antes que caiamos de vez no abismo ou nos tornemos uma Venezuela.

Alternativa 2: Kit suicídio a ser distribuído em larga escala a quem consegue pensar, entender, discernir, o que vem acontecendo no patropi, sob a égide do apedeuta Lula e da absoluta e rigorosamente incompetente Dilma.

É desalentador ver os números que os especialistas em economia apresentam. Os gráficos chegam a ser cômicos (se não fossem trágicos) tamanha é a queda comparativa dos dados da economia brasileira em relação a uma década atrás e à evolução de outros países, enquanto involuímos.

E ainda há gente com ânimo para defender o petismo, alem da desfalcada (nada a ver com Falcão) cúpula, cuja parcela principal está condenada e presa por corrupção.

Na palavra do professor Gonsalves, vejam uma síntese da encrenca: 

“A má gestão da política econômica conduzida pelo PT trouxe de volta todos os males econômicos que foram debelados pelo Plano Real em 1994 (inflação, desemprego, juros altos, desvalorização da moeda, e necessidade de ajuste fiscal).
No entanto, a faceta econômica da crise é apenas um elemento menor da atual conjuntura, é do lado político que temos a novidade e essa face parece insolúvel.

Nos momentos críticos que o Brasil vivenciou antes de 1994, havia sempre crise econômica no curto prazo, mas no médio prazo tinha uma perspectiva de mudanças políticas que alterava positivamente as expectativas dos atores no ambiente econômico.

Na era Collor, a turbulência econômica após a renúncia do presidente foi curta, durou aproximadamente seis a doze meses e se esvaziou pelo desenho de um novo plano de estabilização e a confirmação do ambiente democrático através da convocação de novas eleições.

A atual crise econômica está submetida ao capricho da permanência do PT no governo até o final da gestão da presidente Dilma. O horizonte político longo, com ajuste fiscal tímido, faz com que os investidores se retraiam (por temor político e incerteza no ambiente econômico).

Nesse contexto de baixo investimento o consumo encolhe também – pela elevada inflação e queda no nível de emprego.
Caso o governo resolva abandonar o ajuste e retomar a gastança “para reativar” a economia, a estratégia não funcionará, pois, a resposta será o aumento da inflação e o aprofundamento da queda do investimento pelo rebaixamento do Brasil pelas empresas de “rating”.

O desmonte da atual armadilha econômica, passa dessa vez pela renúncia da presidenta ou pelo seu impeachment. Caso isso ocorra, haverá um período de forte turbulência – desvalorização do Real, paralisia nos investimentos, queda no nível do emprego.

Após esse momento, com a definição de um novo horizonte político (assume o vice e conduz à nação para a próxima eleição) o ajuste fiscal torna-se factível.

Portanto um ajuste fiscal efetivo só ocorrerá se o PT sair do cenário político ou se negar tudo que afirmou ao longo dos 13 anos de permanência no poder.”