Opinião

Só queria entender


O MTST convoca manifestação em que propõe "saída à esquerda" para os problemas brasileiros, mas ao mesmo tempo ataca as políticas praticadas pela presidente do PT


  Por Paulo Saab 12 de Agosto de 2015 às 12:36

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Recebi por e-mail manifestação do MTST convocando as esquerdas para ir às ruas no dia 20 de agosto, em defesa “dos direitos sociais, da liberdade e da democracia, contra a ofensiva da direita e por saídas populares para a crise. · Contra o ajuste fiscal! Que os ricos paguem pela crise! ”

“A convocação diz: ” A política econômica do governo joga a conta nas costas do povo. Ao invés de atacar direitos trabalhistas, cortar investimentos sociais e aumentar os juros, defendemos que o governo ajuste as contas em cima dos mais ricos, com taxação das grandes fortunas, dividendos e remessas de lucro, além de uma auditoria da dívida pública. Somos contra o aumento das tarifas de energia, água e outros serviços básicos, que inflacionam o custo de vida dos trabalhadores. Os direitos trabalhistas precisam ser assegurados: defendemos a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e a valorização dos aposentados com uma previdência pública, universal e sem progressividade. ”

No restante do documento, afirma-se: “Fora Cunha: Não às pautas conservadoras e ao ataque a direitos! Eduardo Cunha representa o retrocesso e um ataque à democracia. Transformou a Câmara dos Deputados numa Casa da Intolerância e da retirada de direitos. Somos contra a pauta conservadora e antipopular imposta pelo Congresso: terceirização, redução da maioridade penal, contrarreforma política (com medidas como financiamento empresarial de campanha, restrição de participação em debates etc.) e a entrega do pré-sal às empresas estrangeiras. Defendemos uma Petrobras 100% estatal. Além disso, estaremos nas ruas em defesa das liberdades: contra o racismo, a intolerância religiosa, o machismo, a LGBTfobia e a criminalização das lutas sociais. A saída é pela esquerda, com o povo na rua, por reformas populares! É preciso enfrentar a estrutura de desigualdades da sociedade brasileira com uma plataforma popular. Diante dos ataques, a saída será pela mobilização nas ruas, defendendo o aprofundamento da democracia e as reformas necessárias para o Brasil: Reforma Tributária, Urbana, Agrária, Educacional, Democratização das comunicações e reforma democrática do sistema político para acabar com a corrupção e ampliar a participação popular. A rua é do povo! 20 de agosto em todo o Brasil! ”

Como minha coluna é democrática de verdade e provo isto há 33 anos diariamente, acabei dando difusão ao documento do MTST, divulgando-o, mas, certamente, para que o leitor, como eu, constate as contradições contidas no texto, a catilinária já enterrada pela História de apontar caminhos sem mencionar como e quem pagar a conta e ainda, para dirimir uma dúvida cruel: dia 20 não é manifestação pró-Dilma?

Esse ato do dia 20 é contra a política econômica do governo? Então poderia se incorporar ao movimento programado para o dia 16. No fundo, todos deveriam estar a favor do Brasil...

Outro detalhe, a manifestação da sociedade, sem divisões de esquerda, direita, minorias, nós e eles, do dia 16 próximo, cai num domingo. Não vai atrapalhar a vida das cidades, da população.

Convocar para o dia 20, uma quinta-feira dita útil para a maioria de quem trabalha de verdade, é mais uma demonstração de como a velha teoria da esquerda no poder está convalescendo. Atrapalhar a vida dos cidadãos para protestar não cola mais. Ah. Sim, e das cidadãs...

Mas persiste minha dúvida. Não consigo entender. Eles apoiam o governo Dilma? Querem uma solução de “esquerda”, então o governo Dilma não é de “esquerda”.

Não foi por isto, mas também não foi à toa, que o comunismo e o socialismo na forma abrupta morreram no mundo todo. Até na China e em Cuba. Só persiste na Coréia do Norte. Coitada. E seus arremedos latino-americanos, onde, claro, o Brasil não vai se enquadrar.

Mas, escapamos por pouco.

Dia 16, domingo, os brasileiros verde-amarelos, que desejam um país livre, sem comandos de líderes opressores que falam em nome do povo enquanto os abandonam e enriquecem os que de verdade amam todos os sentidos de liberdade, devem sair pacificamente às ruas.

O protesto é contra o desmantelamento do país, a corrupção e a incompetência do governo socialistamente falido do PT.

Corrupção, nem falar.