Opinião

Serenidade sim!


Neste momento difícil que o Brasil vive, é preciso que as palavras sejam claras, que as posições sejam nítidas e que as atitudes sejam desassombradas


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 03 de Abril de 2018 às 08:09

  | Historiador


Louvável, em todos os sentidos, a manifestação da presidente do STF feita no início da noite desta segunda-feira (2/04) defendendo a democracia e pedindo respeito à Pátria.

É de se lamentar, no entanto, que a ministra Carmem Lúcia não aponte quem prima pelo desrespeito, violência, incivilidade e intolerância no País; quem divide o povo, afronta a nação, destrói valores e desdenha da Pátria; quem ameaça, insulta e agride, nos palanques, ruas e tribunas.

As diferenças ideológicas existem e são saudáveis em uma sociedade. Elas só causam desordem social quando afrontam leis e instituições, como fazem o MST e o MTST há tempos, sem serem contidos pela Justiça.

O quadro de violência no Brasil é criminal, devido, antes de tudo, à impunidade assassina dos criminosos. A sociedade, ela sim a verdadeira vítima, clama à Justiça para que cumpra seu papel institucional, não o ideológico que lhe foi imposto pelos justiceiros sociais.

Ideias e práticas próprias, opiniões diferentes e posições plurais não podem ser levadas ao extremo da anomia moral, da disfuncionalidade institucional e da subversão da ordem social que vêm sendo sistematicamente promovidas no País, com a anuência da Justiça.

Neste momento difícil que o Brasil vive, é preciso que as palavras sejam claras, que as posições sejam nítidas e que as atitudes sejam desassombradas.

Senão haverá quem pense que, serenamente, pode roubar, matar e agredir sem resistência, sem oposição e, acima de tudo, sem punição.

Senão haverá quem pense que é poderoso o bastante para afrontar toda a Justiça, prevalecer sobre as instituições e impor-se à sociedade, com a serenidade que lhe convém.

O momento é de serenidade sim! Mas de quem  cara-pálida?

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil