Opinião

Será mesmo?


Nenhum pio da imprensa contra o que poderia ser entendido como um ataque à maior operação de combate à corrupção jamais vista no País


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 15 de Março de 2019 às 16:59

  | Historiador


Desculpe, mas acho que não ouvi direito.

O STF decidiu ontem que crimes vinculados a eleições serão julgados pela Justiça Eleitoral?

Então, a partir de agora, quem matar um adversário político durante uma campanha ou montar um bilionário esquema de corrupção para várias campanhas vai ser julgado pela justiça que não cuida de homicídios e nem de corrupção. É isso mesmo?

Um ministro do STF veio logo a público para dizer que, com base na decisão de ontem, condenações podem ser anuladas? Então não é daqui para frente? Vale para trás também?

Desculpe Ministro, mas não ouvi bem. Que condenações mesmo?

O Presidente do STF anunciou que a suprema corte vai investigar ataques contra ela? Vai investigar quem Ministro? Por que mesmo? Opiniões, críticas?

Não sei não, mas acho que muitas coisas mais não foram ouvidas.

Nenhum pio da imprensa contra o que poderia ser entendido como um ataque à maior operação de combate à corrupção jamais vista no País.  

Nada de discursos inflamados no Congresso em defesa da Constituição e de tudo que ela garante à sociedade brasileira, antes de tudo a soberania de um Estado nacional ameaçado pelo crime organizado.

Neca de pitibiriba daquelas associações tão ciosas da defesa de direitos e da liberdade de expressão.   

Nada, nadica de nada. Só um silêncio que dói na alma.

Será que os escândalos, prejuízos, vexames e sofrimentos não nos disseram nada? Que o clamor da população contra a corrupção não é mais ouvido? Que não se escuta mais a sociedade?    

De tudo isso fica a impressão que, de tanta coisa que não ouvimos direito, esquecemos em que país estamos.

Das duas, uma. No dos surdos ou dos insensatos.    

Será mesmo? Então vamos gritar mais alto. Ainda dá tempo. O Brasil tem que ser ouvido.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

FOTO: Robin Higgins/Pixabay