Opinião

Sequestro e resgate


Ao contrário do que muitos pensam, a eleição de 2018 não será decidida entre os extremos, mas sim pelo centro, desde que ele resgate a si próprio


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 12 de Novembro de 2017 às 19:52

  | Historiador


 

Vivemos tempos difíceis, a começar pela dificuldade em discernir o que realmente ameaça a democracia, a paz e o futuro do Brasil. 

 

O crime organizado que vai dos poderes da República às favelas? O radicalismo das milícias de esquerda nos campos e cidades? A ideologização da vida comum e em comum que quer rachar a sociedade de cima a baixo? Ou a nossa exasperação com tudo isso? 

Afinal, diante da evisceração da corrupção, não é possível aceitar que pessoas poderosas pilhadas em conduta francamente criminosa se furtem à responsabilização devido ao seu status ou capital político.

Hoje, depois de estabelecidos no País tantos pesos e contrapesos, tantas instâncias para discussão de tudo, é inconcebível que grupos paramilitares usem a violência em espaços públicos e privados para impor uma agenda ideológica.

E com infindáveis libelos contra a desigualdade no País, agora é difícil aceitar que  o certo ou errado, o bem ou o mal e o melhor ou pior das pessoas dependam de sua cor, gênero, orientação sexual ou posição social.

Porém, corrupção, desordem e ideologização não são originalmente questões de justiça, de lei ou de direitos. Isso é política.

Claro que não a política tomada por sua finalidade, mas a política sequestrada por grupos cujos interesses não confluem no bem comum.

Esse sequestro da política não se fez por propostas radicais, mas pela alteração do senso comum projetado na política. Para tanto, havia que se modificar aquilo que se tem por centro no espectro político-ideológico.

No Brasil, desde os anos 90, o centro foi sequestrado pelo estelionato ideológico, pelo ativismo jurídico e pelo domínio da narrativa que a esquerda empregou largamente.

Uma esquerda que nada tem de centro, nem pela sua história e nem pelo seu programa, porque ela é marxista, e como tal, anti-sociedade.

A mesma esquerda que perdeu espaço na debacle do PT e PSDB e agora, às vésperas da disputa presidencial, chora lágrimas de crocodilo pelo desaparecimento do centro que engoliu.    

Talvez muitos tenham se esquecido, mas antes da lavagem cerebral a que foi submetida a sociedade brasileira, no centro político convergiam políticos e políticas que, por mais imperfeitos que fossem, pregavam a moralidade pública, o cumprimento da lei e a valorização da família, pautas hoje atribuídas à direita e, por isso, tidas cada vez mais como moralistas, radicais e reacionárias.

Por aí se entende por que a esquerda que, há pouco mais de um ano, pregava a eleição inconstitucional de Lula, agora o taxa de populista de esquerda. Coerência pouca importa. Só fins, não importam os meios.

O que importa agora é destruir a “extrema-direita”, para onde foi chutado o que restou da ideia de centro, mas que, a despeito da manipulação da mídia mainstream e da desinformação nas redes sociais, é assumida pela maioria da sociedade.

É por isso que, ao contrário do que muita gente pensa, a eleição do ano que vem não será decidida entre os extremos, mas sim pelo centro, desde que ele resgate a si próprio

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio