Opinião

Sem atalhos


Não há atalhos para o Brasil fazer o que deve. O caminho passa por Porto Alegre


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 22 de Janeiro de 2018 às 09:15

  | Historiador


Nunca é demais repetir. Do resultado do julgamento de Lula depende o futuro da política no Brasil. Mas que Lula?

Lula, o personagem macunaímico que catalisou o pior da vida política nacional. Sarney, Collor, Renan, Genoíno, Jucá, Maluf, Cabral, Temer e Dilma, só para falar de eleitos, ajudaram, obedeceram ou serviram a Lula.

Isso sem falar dos nomes institucionais que  esperaram uma carreira inteira para servir ao País e terminaram servindo a um projeto de poder.

Lula, ícone popularesco, que ascendeu à presidência da República incensado pela intelligentsia socialista reunida em torno de FHC e o seu PSDB sem fronteiras com o PT.

Lula, o condenado pela Justiça; esse exato Lula que ameaça a Justiça, associado aos piores ditadores do mundo, aquela tal metamorfose que anda mas não muda.

Lula, o de sempre. Esperança dos corruptos, das ditaduras e de uma esquerda que não tem juízo.

Sim, sem juízo, pois no mundo que conta, a esquerda sabe que não vai acabar com a democracia, com o parlamento e com a liberdade de opinião e imprensa. Nesses lugares, ao longo da História, os políticos aprenderam a temer alguma coisa: Deus, o rei, o povo e finalmente a polícia.

Aqui, porém, os políticos ainda se arrogam ao direito de fazer simplesmente tudo. Daí a tolerância com as ameaças, a parcialidade ideológica e a candidatura do brejo para dar vida ao candidato espantalho, Lula, o pino do boliche que derrubado leva a todos.

Não há queima de etapas para superar essas mazelas. Temos que passar por isso, como outros países passaram. E fazer o que deve ser feito.

Antes e acima de tudo, justiça com nosso Berlusconi de barba, para que ele não personifique, voltando ou não ao poder, o fracasso de mil Mãos Limpas, que é o tamanho do enterro da Lava Jato por aqui.

Depois, a volta da política ao domínio da lei. O que se fez no País nas últimas décadas não foi política, foi bandidagem, que custou muito caro, como estamos todos descobrindo nos impostos, nas violências, nas paralisações e nos colapsos públicos de cada dia.

E não será com bandidagem no poder que teremos reformas e ajustes, como ficou bem claro no rebaixamento do crédito do Brasil pela S&P e nas olímpicas perdas de posição de empresas brasileiras no exterior.  

Não há atalhos para o Brasil fazer o que deve. O caminho passa por Porto Alegre.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio