Opinião

Riscos a que estamos expostos pela falta de informação


Decisões sem o conhecimento de seus efeitos quantificados futuros causam impactos catastróficos para as futuras gerações


  Por Marta Pelucio 22 de Maio de 2018 às 19:23

  | Contadora, vice-presidente da Anefac e professora da Fipecafi, é sócia da Praesum Contabilidade Internacional.


Para que se possa mitigar um risco é necessário conhecê-lo. Não existe controle do que não se tem conhecimento. O setor privado passou por uma verdadeira revolução informacional com a adoção das normas internacionais de contabilidade.

Hoje discute-se amplamente e constantemente a aplicação e manutenção de normas contábeis que possibilitem aos usuários ter conhecimento da representação fidedigna da situação patrimonial e financeira das entidades privadas.

No entanto, em se tratando do setor público, ainda estamos expostos a riscos não medidos pela falta de informação.

Com esforços conjuntos entre a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) tem se desenvolvido o processo de adoção das IPSAS (normas internacionais para o setor público) no Brasil.

Porém esse processo somente será possibilitado se houver alteração na Lei 4.320/1942, a exemplo do que aconteceu no setor privado com a alteração da Lei 6.404/76.

Mas, a que riscos estamos expostos pela falta de informação?

A falta de informações leva a tomada de decisões incorretas que podem ser catastróficas. Pode levar uma empresa ou um governo à falência.

Decisões são tomadas diariamente sobre novos investimentos, novas contratações, precificações (ou tributação quando se trata do setor público), entre outras. Decisões sem o conhecimento de seus efeitos quantificados futuros causam impactos catastróficos para as futuras gerações.

Um dos principais agravantes no setor público está a falta de conhecimento dos passivos previdenciários. Pouco se sabe do verdadeiro rombo existente nos cofres públicos, por meio de demonstrações contábeis de baixa qualidade, como as praticadas atualmente.

O primeiro passo para se controlar e ter conhecimento da situação financeira do estado está na prestação de contas transparente e de boa qualidade, como as possibilitadas com a aplicação das IPSAS.

O setor privado solucionou as deficiências através da Lei 11.638/2007 de prestação de contas contábeis, aplicáveis a todas as entidades jurídicas.  

Nós, cidadãos, no exercício de nossa cidadania deveríamos exigir uma prestação de contas transparente. E, nós, contadores, no exercício de nossa profissão deveríamos exigir, acompanhar e participar da adoção das IPSAS no Brasil.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio