Opinião

Responsabilidade nas delações


Para preservar a credibilidade da ação judicial, é essencial cercar as delações premiadas de provas irrefutáveis. "Ouvir dizer" não pode ser a base acusações, como tem acontecido


  Por Aristóteles Drummond 18 de Maio de 2016 às 16:46

  | Jornalista


No momento em que o Brasil está empenhado no sucesso das investigações nascidas de trabalho da Polícia Federal, avanços em operações como a Lava-Jato se devem às delações premiadas. Mas é preciso preservar a credibilidade da ação judicial para impedir a impunidade. 

As delações são positivas; facilitam apurações, mas devem ser analisadas com muito critério. O uso e abuso políticos atentam contra a democracia e colocam em risco este positivo ato de passar a limpo a vida pública brasileira. 

Com mais de meio século de jornalismo independente, participando da política nacional desde a mocidade, conhecendo e convivendo com políticos das mais variadas tendências, seria indigna a omissão diante de um sentimento com base em convicção consolidada. 

Estranho a insistente obsessão de certos setores em envolver o senador Aécio Neves em malfeitos em Furnas, estando ele há mais de 12 anos na oposição. 

O diretor citado, Dimas Toledo, é funcionário de carreira na empresa, tendo chegado por mérito a diretor e, por fim, a presidente. É morador de condomínio de classe média na zona oeste. É mineiro, e como tal gosta de política. 

O filho Dimas Fabiano (PP-MG) foi vereador, deputado estadual e, hoje, deputado federal. 

Furnas atua em Minas, seu berço, natural que o senador e o ex-diretor se conheçam. E ponto final. Aécio foi oito anos governador de Minas, realizou impressionante obra e, se fosse de prevaricar, teria feito em seu Estado, o que nunca foi questionado pelo Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa e o Judiciário estadual. Logo, tem razão o juiz que mandou reexaminar a denúncia leviana, na base “do ouvir dizer”.

Outro acusado por “ouvir dizer”, o ex-governador do Rio, Sergio Cabral é o arquiteto desta obra fantástica envolvendo o Estado, na capital onde montou a eleição e reeleição do prefeito Eduardo Paes. 

Além disso, atuou de maneira decisiva para eventos como a Copa de 2014 e Olimpíadas 2016. Hoje, sofre acusação com as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas e a Assembleia. 

Deveria merecer as homenagens da sociedade que resgatou da decadência, inclusive ética e moral. Explora-se de forma grosseira um normal momento de descontração, em jantar com amigos, numa das suas viagens a serviço da causa 
fluminense. Curioso seria se tivesse obtido os eventos, os trens, sem sair do palácio.  

Parafraseando JK, Deus poupou-me o sentimento do medo, inclusive o de dizer – e escrever – o que tenho como verdade. Podem acreditar, tem muita coisa para ser apurada e culpados a ser punidos. Deixemos os realizadores em paz! 

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