Opinião

Réquiem para o tricolor


Vou particularizar, profanamente rezando uma missa para o defunto chamado São Paulo Futebol Clube, não por sua qualidade e relevância como Clube, mas pela inconsistência do seu time de futebol.


  Por Paulo Saab 22 de Outubro de 2015 às 12:12

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Resolvi dar um descanso hoje ao leitor e ao meu fígado. Faço isso evitando, ao menos nesta coluna, falar da indigência mental,física e psicológica que tomou conta da vida nacional.

Vou particularizar, profanamente rezando uma missa para o defunto chamado São Paulo Futebol Clube, não por sua qualidade e relevância como Clube, mas pela inconsistência do seu time de futebol.

Corro o risco de também não falar desse assunto, uma vez que não aguento mais, como ocorre sem exceção nos últimos 15 anos, perder mata-mata para o Santos Futebol Clube.

Justo o Santos, único time do futebol paulista pelo qual em situações especiais e na era Pelé, eu era fã ,embora menos apaixonado do que pelo São Paulo. Aliás, parabéns a Pelé que amanhã faz 75 anos.

Estava a ponto de ,como se diz no boxe, jogar a toalha na lona (quando o técnico do lutador reconhece a surra do seu pupilo e pede ao árbitro para parar a luta) desistindo de ter esperanças num estancamento da queda do ainda único tri-campeão mundial interclubes do Brasil, quando suspendi o Réquiem, ao passar os olhos em um anuncio em página de editais da Folha. 

Sim, leio tudo, até bula de remédio. Inclusive a Folha, onde trabalhei como repórter político por cerca de dez anos.

Li um edital de apresentação de “plataforma administrativa” para as eleições no Glorioso Tricolor do Morumbi (retiro o defunto, não consigo deixar de ser são-paulino) assinado pelo Sr. Newton Luiz Ferreira, sócio número 507 e conselheiro do clube.

Não conheço e nunca ouvi falar no Sr.Ferreira. E também nunca havia visto antes um candidato a presidente de um clube de futebol (o maior campeão brasileiro) apresentar de público -para ser cobrado- suas prioridades para buscar reconstruir uma organização social decadente pelas atitudes pequenas de recentes ex-dirigentes.

Vou torcer para que, ao menos a atitude do Sr.Ferreira seja vitoriosa e possamos começar a dar um ar mais sério -e exercê-lo- nas coisas que envolvem as multidões no país, como o futebol. Sem guerras.

Desejo sucesso ao candidato, pela coragem de apontar o que pretende fazer para recuperar o ainda primeiro entre os grandes.
Espero que o que ele escreve e venha a dizer, não seja letra morta como acontece com Lula, Dilma, e tantos outros políticos brasileiros. Desculpe leitor, de novo, não resisti.