Opinião

Realismo internacional


Não podemos seguir o exemplo grego, que tentou enganar a União Europeia e acabou por diminuir suas possibilidades de volta natural aos mercados


  Por Aristóteles Drummond 22 de Dezembro de 2015 às 12:33

  | Jornalista


A realidade da crise econômica, grave, leva ao natural consenso de que a melhoria passa por uma integração maior com os mercados, aumentando o movimento do comércio, atraindo investimentos e garantindo as obrigações assumidas. Tudo leva a exigir maior produtividade e competitividade, agilidade na tramitação de documentos e simplificação fiscal, que tem sido entraves ao nosso desenvolvimento.

Não podemos seguir o exemplo grego, que tentou enganar a União Europeia e acabou por diminuir suas possibilidades de volta natural aos mercados. Temos de fazer reformas, simplificar procedimentos, acolher o investidor que aporta tecnologia e vem produzir aqui.

Basta olhar para vizinhos que estão se dando bem, como o Peru e a Colômbia, para se perceber qual a melhor direção a seguir. A integração pelos países do Pacífico é altamente positiva e o Brasil poderia dar uma demonstração concreta de vontade de se integrar, apressando os projetos rodoviários de acesso aos portos peruanos e chilenos, por exemplo. Além de melhor explorarmos nossos vizinhos, as guianas, porta de entrada para o Caribe.

Não podemos é manter, neste ano que se inicia, a posição de devedores de nossas contribuições aos organismos internacionais a que pertencemos, como CPLP, ONU, OEA, UNESCO, OIT. Uma posição constrangedora para nossa diplomacia. E são muitas as entidades multilaterais a que pertencemos e não estamos em dia com nossas contribuições. Isso nos enfraquece nos debates.

A nova realidade argentina pode nos ajudar muito nesta integração – desde que reabram o diálogo com a comunidade financeira internacional, é claro. No Uruguai também encontramos hoje uma orientação realista e de bom senso. E o Paraguai é a economia da região que mais cresce. Os ventos bolivarianos estão passando em toda a região e o mesmo deve ocorrer com o Brasil. Ao que parece, a presidente já esfriou seu entusiasmo com esse grupo que gera mais problemas do que soluções, apesar do desgaste com a salda de Joaquim Levy, de muita credibilidade..

O Itamaraty precisa voltar a ter voz nos assuntos internacionais. Não deu certo a sua substituição por uma assessoria de cunho ideológico e que contraria uma tradição de equilíbrio e prestígio que vem desde os tempos dos grandes nomes da casa, como Rio Branco e Afrânio de Melo Franco. E, na área comercial, as lideranças empresariais que estão no front do comércio internacional precisam atuar com mais vigor. 

O Ministro Nelson Barbosa tem a agir rápido na direção certa