Opinião

Quem sabe faz a hora


A descrença no País se espalha, o ressentimento contra tudo e todos vai se generalizando e flerta-se perigosamente com o caos, do qual a greve dos caminhoneiros foi apenas uma pálida antecipação


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 27 de Junho de 2018 às 07:19

  | Historiador


A decisão da 2a Turma do STF de libertar José Dirceu ontem, dia 26 de junho, deixou clara a intenção de alguns ministros daquela corte em libertar Lula e viabilizar sua candidatura na eleição de outubro.

Diante da gravidade dos acontecimentos, é tempo de a sociedade brasileira se dar conta da conspiração levada a cabo por esse grupo de doutos que se autodenominam “garantistas”.

Garantirão muita coisa sim.

Internamente garantirão o caos, levado ao extremo no caso da vitória de Lula em eleições tensas e tumultuadas cujos resultados serão radicalmente contestados pelas dúvidas alimentadas justamente pelo STF em seu comportamento opaco sobre as urnas eletrônicas.

No cenário internacional, vão garantir que o Brasil seja remetido à condição de pária. Ou alguém pensa que um país que teve as maiores empresas investigadas e condenadas no exterior pode impunemente deixar impunes os operadores políticos desse esquema, e pior, entronizá-los novamente?

Não precisamos de alarmismo.

A situação já é grave o suficiente pelo impasse político e econômico que o País enfrenta com um governo fraco e desacreditado e com a economia paralisada.

Mas o País precisa despertar de sua letargia e enfrentar o plano maléfico arquitetado pelo que há de pior no mundo e no submundo da política no Brasil.

Um plano que, por um lado, busca o caos ao ponto de só deixar à população a esperança de salvação na volta do líder populista que distribuiu moedas aos pobres e encheu os bolsos dos ricos. Uma nostalgia suicida que vai dos bolsões de pobreza e ignorância dos sertões e periferias a alguns dos mais importantes gabinetes e escritórios do País.

Por outro, isolar o Brasil, pela inobservância dos acordos e procedimentos internacionais de combate ao crime organizado e pelo desdém ao investimento estrangeiro, pregando uma autarquia nacionalista e terceiro-mundista. Não é à toa que os ex-chanceleres do PT voltaram a circular para, sutilmente,  vender a viabilidade de uma política externa muito mais perigosa e audaciosa do que a praticada por Lula. 

O acoplamento do caos interno ao isolamento externo vai criar as condições favoráveis à implantação de um regime autoritário, de feição paternalista, facilmente mascarável como democrático graças ao acumpliciamento de apaniguados em todos os níveis e setores da vida nacional, como assistimos nos governos Lula e Dilma.    

Estamos na sala de espera desse manicômio.

A descrença no País se espalha, o ressentimento contra tudo e todos vai se generalizando e flerta-se perigosamente com o caos, do qual a greve dos caminhoneiros foi apenas uma pálida antecipação.

Os ministros do STF, onde se encontra neste momento a linha de defesa da legalidade, da moralidade e da democracia no País, têm que ser chamados à responsabilidade por seus atos.

A hora é de reagir. Patrioticamente, civicamente e legalmente a quem movido pelo ódio, pelo egoísmo e pelo radicalismo trabalha para chegada do caos.

Algo que não se espera acontecer.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

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