Opinião

Quem não quer ver


O quanto o aparelhamento lulopetista conseguiu se infiltrar nas estruturas do poder judiciário é algo ainda não medido


  Por Paulo Saab 20 de Outubro de 2021 às 13:18

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Qualquer cidadão que acompanha a vida pública do país sabe que desde a eleição de Bolsonaro, o resquício do lulopetismo incrustado no Estado brasileiro (e nos níveis de poder) tenta um terceiro turno em busca de reverter o afastamento do esquema então predominante do poder.

É visível e só não vê quem não quer que, notadamente, no STF, onde a maioria dos atuais ministros foi nomeada pelos dois ex-presidentes Lula e Dilma, que aquela corte tem sido uma instância de resistência ao governo eleito em 2018 (desde então) e buscado suspender as decisões anteriores de três níveis do Judiciário em favor de todos que foram condenados por crimes ligados aos governos mencionados.

O quanto o aparelhamento lulopetista conseguiu se infiltrar nas estruturas do poder judiciário é algo ainda não medido, mas revelado, a cada movimento que os órgãos ligados ao Judiciário fazem.

O jornalista Leonardo Desideri revela de Brasília, por exemplo, na Gazeta do Povo, que “redes sociais de órgãos da Justiça são tomadas por ativismo ideológico”.

É mais um grave sintoma de como o sistema judiciário brasileiro está infiltrado, viciado e a serviço da ideologia de um grupo e não aos interesses verdadeiros do Brasil.

Diz o jornalista: “Publicações com claro viés ideológico são cada vez mais comuns em redes sociais de órgãos que integram ou estão ligados à Justiça brasileira, como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Ministério Público Federal (MPF), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O fenômeno afronta o princípio constitucional da impessoalidade na administração pública, segundo especialistas consultados pela Gazeta do Povo.”

Ainda segundo Desideri, “uma das postagens do STF ensina o que é a sigla “LGBTQIA+”. Já o TSE publicou um post com o título: “O que mais pessoas trans na política podem fazer pelo Brasil?”. O tribunal, aliás, tem nas pautas identitárias o grande foco de seu Instagram, com o pretexto de que “representatividade é democracia” (como prega um dos slogans utilizados pela conta). “Violência política de gênero” tem sido o tema de destaque das últimas postagens. A chefia desses órgãos nem sempre é a principal responsável pela publicação desse tipo de conteúdo, mas com frequência faz vista grossa à atuação ideológica dos departamentos de comunicação. É comum, por exemplo, que mesmo diante de críticas externas levadas às ouvidorias ou reclamações formais de funcionários dos próprios órgãos, o assunto seja ignorado ou tratado com descaso.”

Mais: “No dia 28 de setembro, Dia Nacional da Liberdade de Expressão, o CNJ usou o ensejo para fazer uma postagem: “Não confunda liberdade de expressão com discurso de ódio”.

A gravidade que alcança a vida nacional, vindo a instabilidade e a insegurança jurídica de um poder que, em tese, deveria ser o responsável pela inverso, alcançou limites que, entre outros de igual ataque à escolha popular nas urnas em 2018, levou o nível de insatisfação da população às ruas maciçamente em 6 de setembro passado.

Toda a atuação visivelmente política e de tentativa de desestabilização do governo Bolsonaro que acontece também no Legislativo (veja-se a atuação comprometida e imparcial da CPI da Covid) decorre da certeza de seus integrantes e manipuladores, de que no âmbito do judiciário não serão incomodados.

Esta é uma realidade que só não vê quem não quer ou finge que não vê quem está com interesses que passam longe de ter o Brasil como primeiro pensamento.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio 






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