Opinião

Por que Singapura é fascinante


Não há demagogia. O país valoriza o trabalho e produção de riquezas. A carga tributária é baixa e justa


  Por Charles Holland 07 de Abril de 2018 às 08:06

  | Contador, empresário, conselheiro independente de empresas, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC)


Singapura é fascinante para todos nós brasileiros. Na sua independência, em 1965, Singapura copiou o modelo de governança enxuta e autoritária implantada no Brasil em 1964.

O Brasil manteve a governança rígida enxuta até 1976. Em Singapura ainda adotam o nosso regime enxuto que durou exemplarmente 12 anos.

Singapura ocupa área e população 45% menores em relação ao município de São Paulo.

Em 1965, o PIB per capita em Singapura era uma pequena fração em relação ao município de São Paulo. Hoje São Paulo tem uma pequena fração de PIB per capita em relação a Singapura.

Apesar de serem pobres no passado, sempre adotaram o sistema britânico de educação ou equivalentes, em tempo integral, e instalações para prática de esportes coletivos. Todos levam educação, disciplina, ordem, e respeito a sério. Tolerância para o errado é zero.

A meritocracia é exercida em todas as atividades. Valorizam negócios, segurança, respeito, praticidade e ordem. Tudo funciona. O país sempre elabora seus planos, dando tempo para consultas, discussões e aprovações apropriadas, com horizontes de curto prazo – 5 anos e longo prazo, 25 anos.

Em 1965, Singapura era um país pobre. Hoje é um país rico, superando amplamente os Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, etc. Como? Seguindo à risca “Ordem é Progresso”.  

Esta é terceira visita que faço a Singapura desde 1989. Sempre crescendo de forma extraordinária.

Onde hoje gastamos décadas para construir metrôs, túneis, pontes, saneamento básico, escolas, elevados, rodovias, etc. os singapurenses fazem em poucos anos, frequentemente completando as obras antes dos prazos, e com custos iguais ou menores que os orçados.

Todas as obras e prestação de contas são impecáveis, com acabamentos esmerados. As diferenças são chocantes com o nosso jeito brasileiro de fazer as coisas.

O país tem 17 reservatórios de águas limpas e potáveis, cercada de vegetação nativa, reciclando todas as águas de chuvas. Todos os reservatórios são usados como parques de uso comunitário.

Levei uma semana para ver um policial. A maioria dos prédios é automatizado, sem porteiros, seguranças, etc. Tudo funciona e bem. 50% das compras nos supermercados adotam autoatendimento.

Todas as construções são modernas, funcionais com tecnologia de ponta. Tudo aparentemente funciona. Inexiste enchentes, blackouts, pichações, mendigos, pedintes, desabrigados, favelas, mosquitos e moscas.

Como cético, procurei defeitos, e não achei. Os transportes públicos adotam tarifas justas sem subsídios. Tarifas baixas para trechos curtos e mais altas para trechos compridos.

Não há demagogia. O país valoriza o trabalho e produção de riquezas. A carga tributária é baixa e justa.

Todas as entidades do setor público são administradas como empresas de capital aberto. Todos os funcionários são remunerados e avaliados igual ao setor privado. A idade média da sociedade é de 25/35 anos. Os acima de 55 anos são minoria.

Como o custo de vida nos países vizinhos, principalmente Indonésia é uma fração em relação a Singapura, muitos emigram quando se aposentam. Conseguem conforto e custos baixos.

Os 0,001% dos brasileiros problemáticos assumiram legalmente o Brasil em 1986. Até quando teremos de tolerar a minoria de problemáticos, com todas as suas mazelas, direitos adquiridos imorais, gastanças, mordomias, etc.?

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