Opinião

Por que se orgulhar do Brasil


É mais do que tempo de acordarmos da letargia masoquista de um determinismo suicida segundo o qual tudo no Brasil está errado


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 17 de Junho de 2018 às 21:11

  | Historiador


É claro que a resposta não está no desempenho da seleção brasileira. Orgulhar-se do País está além de alegrias e tristezas efêmeras que não superam as memórias felizes que, mesmo no futebol, ultrapassam gerações.

Perguntar por que devemos nos orgulhar do País neste momento de dificuldades pode soar até como uma provocação.

Que seja então.

Por que é mais do que tempo de acordarmos da letargia masoquista de um determinismo suicida segundo o qual tudo no Brasil está errado, desde sempre, nada tem jeito, e pior, que devemos nos conformar com isso.

A prevalecer esse discurso, a resultante é óbvia. Nada de mudanças. Nada de reformas na economia, na política e na justiça.

Daí não ser difícil inferir a quem isso interessa. 

Os últimos anos no Brasil foram como um páreo no qual milhões apostaram às cegas no cavalo da corrupção, arisco o bastante para se livrar do jóquei do radicalismo quando o grande público percebeu a trapaça.

Hoje, o radicalismo está a pé, sem sela, perdido no meio da pista, e a corrupção, ainda solta, pastando, à espera de um jóquei idiota o bastante para trotá-la faceira até a nova linha de partida, as eleições de 2018.

Vamos primeiro ao jóquei.

As grandes esperanças depositadas no Brasil pela esquerda mundial depois da queda do Muro de Berlim desaguaram em um lamaçal de crimes e descrédito.

Não é difícil identificar, portanto, de onde parte o discurso de desconstrução verbalizado pelos principais jornais do País e outras mídias.

Suas digitais estão no veredicto do historiador e sociólogo inglês Perry Anderson: “o marxismo ocidental adota o método como impotência, a arte como consolação e o pessimismo como quiescência” (Considerations on the Western Marxism, 1976).

Mas essa impotência, consolação e quiescência do marxismo irrealizado e irrealizável não estão apenas em nossas redações e academia.

Algumas das mais prestigiosas revistas dos Estados Unidos e Europa destilam esse veneno cultural, esquecendo toda tradição ocidental que criou o parlamento, o governo responsável, os partidos políticos e a democracia para incensar a China, a agora sempiterna esperança do comunismo.

Já o cavalo, o outro parceiro do páreo fraudado, sabemos quem é, plasmado nas muitas faces dos corruptos travestidos de dirigentes políticos, legisladores e juízes que despertam a ira da população com seus pareceres empolados, discursos cínicos e silêncios dolosos.

Saudemos o Brasil, portanto, por se livrar do jóquei do radicalismo e colocar nas mãos da Justiça o cabresto que vai levar o cavalo da corrupção para a baia do passado.  Ela está prontinha, esperando os dois, o conjunto chamado atraso.

O País não aceita mais que o radicalismo ideológico dite seus destinos e não aguenta mais a corrupção alimentada por impostos extorsivos.

É a História que liga o momento ao seu significado e o acontecimento a uma continuidade.

Confiemos no Brasil pelo que ele é.

Plural, grande e desorganizado, porém identitário, dinâmico e livre. São razões de sobra para nos orgulharmos dele.

Quem não estiver disposto a grandes peregrinações intelectuais, basta assistir a Copa além da bola em campo.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

IMAGEM: Sebastião Moreira/EFE