Opinião

Por falar em República...


A mensagem do grande orador Cícero e os nossos governantes


  Por Paulo Saab 02 de Setembro de 2015 às 10:05

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


O senador Cícero, um dos grandes oradores da Roma antiga, proferiu as Catilinárias, quatro grandes orações contra o Senador Catilina. Isto foi por volta de 70 A.C. Catilina, mal comparando, teria atitudes, digamos pouco republicanas, mais à lá PT do Brasil de hoje.

Por isto, para quase ninguém que sabe latim, aqui vai o segundo dos famosos discursos. Eu mesmo estudei latim no meu tempo de Liceu Pasteur (parece que foi há cem anos) e Direito Romano na Academia do Largo de São Francisco.

Mas, certamente, precisei recorrer aos sábios da internet. De todo modo, a tradução será adaptada aos dias de hoje. Catilina é Dilma/Lula.  Por merecimento atual e para lástima do conceito de República.

“ Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? quam diu etiam furor iste tuus eludet? quem ad finem sese effrenata iactabit audacia? Nihilne te nocturnum praesidium Palatii, nihil urbis vigiliae, nihil timor populi, nihil concursus bonorum omnium, nihil hic munitissimus habendi senatus locus, nihil horum ora vultusque moverunt? Patere tua consilia non sentis? constrictam omnium horum scientia teneri coniurationem tuam non vides? Quid proxima, quid superiore nocte egeris, ubi fueris, quos convocaveris, quid consilii ceperis, quem nostrum ignorare arbitraris? O tempora, o mores! senatus haec intellegit, consul videt: hic tamen vivit. Vivit? immo vero etiam in senatum venit, fit publici consilii particeps, notat et designat oculis ad caedem unum quemque nostrum. Nos autem, viri fortes, satis facere rei publicae videmur, si istius furorem ac tela vitemus. Ad mortem te, Catilina, duci iussu consulis iam pridem oporte bat, in te conferri pestem istam, quam tu in nos machinaris. An vero vir amplissimus, Scipio, pontifex maximus, Ti. Gracchum, mediocriter labefactantem statum rei publicae, privatus interfecit: Catilinam, orbem terrae caede atque incendiis vastare cupientem, nos consules perferemus? Nam illa nimis antiqua praetereo, quod C. Servilius Ahala Sp. Maelium, novis rebus studentem, manu sua occidit. Fuit, fuit ista quondam in hac re publica virtus, ut viri fortes acrioribus suppliciis civem perniciosum quam acerbissimum hostem coërcerent. Habemus senatus consultum in te, Catilina, vehemens et grave; non deest rei publicae consilium neque auctoritas huius ordinis: nos, nos, dico aperte, consules desumus.”

Tradução obtida via Google:

“Até quando, Dilma/Lula, abusarás de nossa paciência? Quanto zombará de nós ainda esse teu atrevimento? Onde vai dar tua desenfreada insolência? É possível que nenhum abalo te faça nem as sentinelas noturnas do Palatino, nem as vigias da cidade, nem o temor do povo, nem a uniformidade de todos os bens, nem este seguríssimo lugar do Senado, nem a presença e semblante dos que aqui estão?

Não pressentes manifestos teus conselhos? Não vês a todos inteirados da tua já reprimida conjuração? Julgas que algum de nós ignora o que obraste na noite próxima e na antecedente, onde estiveste a quem convocaste que resolução tomaste?

Oh tempos! oh costumes! Percebe estas coisas o Senado, o cônsul as vê, e ainda assim vive semelhante homem! Que digo, vive? Antes vem ao Senado, é participante do conselho público, assinala e designa com os olhos, para a morte, a cada um de nós.

E nós, homens de valor, nos parece ter satisfeito à República, evitando as suas armas e a sua insolência. Muito tempo há Dilma/Lula, que tu devias ser morto (a) por ordem de cônsul [Nota do Colunista: com isto não concordo], e cair sobre ti a ruína que há tanto maquinas contra todos nós.

Porventura o insigne P. Cipião, Pontífice Máximo, não matou a Tibério Graco, por deteriorar um pouco o estado da República? E nós devemos sofrer a Dilma/Lula, que com mortes e incêndios quer assolar o mundo?

Passo em silêncio aqueles antiquíssimos exemplos, de quando C. Servílio Ahala matou com sua própria mão a Spúrio Melo, que procurava introduzir novidade.

Houve antigamente na República esta fortaleza de reprimirem homens de valor com os mais severos castigos seja ao cidadão pernicioso que ao cruelíssimo inimigo.
Temos contra ti, Dilma/Lula, decreto do Senado veemente e severo; não falta conselho à República; nós, abertamente o digo, nós somos os que faltamos.”

Adaptadas as circunstâncias, vale repetir o que se tornou famoso:
Quo usque tandem, Dilma/Lula,  abutere patienta nostra?

Ó tempora, Ó mores...