Opinião

População de rua é vergonha


Eles eram poucos, alguns embriagados; depois chegaram os drogados e os violentos, que hoje inviabilizam a relação dos cariocas com o espaço público


  Por Aristóteles Drummond 12 de Agosto de 2015 às 13:16

  | Jornalista


O Rio completa 450 anos sem conseguir eliminar alguns de seus problemas graves, mas de baixo custo para o poder público.

E, no entanto, são importantes na qualidade de vida da população, na imagem da cidade, no fortalecimento de sua vocação para o turismo – hoje, prioridade em função da rede hoteleira ter baixos índices de ocupação.
Um dos mais antigos é a questão da população de rua, normalmente inofensiva e que no passado era denominada como mendigos

Depois, com o tempo, o número foi crescendo, o alcoolismo tomou conta primeiro e, na sequência, vieram as drogas e a violência.

A exploração de menores na mendicância foi praticamente eliminada, mas parece estar tentando voltar discretamente. A estimativa é a de que, entre o Centro e a Zona Sul, sejam perto de seis mil os moradores de rua.

Na região da Praça Paris até o Aeroporto, incluindo o Aterro e os jardins no entorno do MAM, a ocupação afronta a população e oferece um espetáculo degradante a quem chega à cidade.

A calçada em frente ao Aeroporto Santos Dumont, “despoliciada”, coloca os passageiros que chegam ou partem diante do assédio de menores que se oferecem como engraxates, quando, no saguão do aeroporto, o serviço é prestados por profissionais que pagam pelo espaço e pelas cadeiras. No embarque da Rodoviária Novo Rio, a situação é assustadora.

Em Copacabana, a ocupação já tornou inviáveis muitos restaurantes e faz do calçadão da Avenida Atlântica uma zona perigosa a qualquer hora do dia. E, na Avenida Copacabana a situação não é diferente.

Os moradores, que pagam um IPTU alto, estão praticamente presos em casa.

Nada justifica os que defendem esta verdadeira vergonha para a cidade. Afinal, a indiferença em relação a estes infelizes, doentes em boa parte, compromete a cordialidade e a formação solidária e acolhedora dos cariocas.

Não retirar, para atender a pessoas equivocadas, que são os defensores deste “status-quo”, apequena as autoridades responsáveis pela cidade, sejam municipais, estaduais ou federais, e a própria sociedade.

Todos deveriam se unir em torno de um projeto exemplar de acolhimento, tratamento médico, reeducação e reinserção na sociedade. Com tanta bolsa-família e outros programas sociais, não se entende o abandono de um problema grave, que retira empregos de milhares de profissionais e humilha os cariocas e fluminenses.

A crise na economia pode tornar a situação mais dramática, estando hoje presente em muitas cidades do interior. E algumas que vivem do turismo, como Búzios, onde a abordagem e pequenos delitos nas praias, especialmente por parte de menores, são fatores determinantes do não retorno de muitos turistas.

Fingir que o problema não existe é tapar o sol com peneira. É uma postura egoísta e demonstra inacreditável insensibilidade.