Opinião

Política externa e dignidade nacional


A viagem dos senadores a Caracas foi uma humilhação inédita na nossa história . Maduro sabia que entre os senadores e ele, o Brasil oficial ficaria com ele


  Por Aristóteles Drummond 29 de Julho de 2015 às 12:10

  | Jornalista


A política externa de um país é fator indicativo de seus compromissos pela paz e pela democracia. Não existe meio termo. E o Brasil sempre teve uma direção correta, coerente e respeitada. Mas temos errado muito, o que nos leva a olhar a história.

Nos primeiros governos civis da República, a questão era de tal monta que o governo foi buscar em um grande nome do Exército o chanceler ideal, o general Dionísio Castro Cerqueira, que foi ministro da Guerra por muitos anos. E isso com o Barão do Rio Branco em plena atividade para consolidar fronteiras e dar presença internacional ao Brasil.

Depois tivemos militares em posição de destaque e brilho. Alguns exemplos: Juraci Magalhães e Ernani do Amaral Peixoto, grandes embaixadores nos EUA; Aurélio de Lira Tavares, em Paris; Fernando Belfort Bethlen, em Assunção, e Samuel Correa, no Iraque.

A viagem dos senadores a Caracas foi uma humilhação inédita na nossa história . Maduro sabia que entre os senadores e ele, o Brasil oficial ficaria com ele. 

Portanto, nada mais natural que essa intimidade do Brasil com governos populistas, corruptos e de esquerda na América Latina, alinhados com a Cuba, ainda de Fidel, preocupe dos brasileiros. Aí, incluindo os militares, que pensam o Brasil de maneira mais global.

O comprometimento não é apenas político, nos deixando em situação de constrangimento perante nações tradicionalmente aliadas e amigas.

Repercute nas contas internas, diante da dimensão dos empréstimos dados a países sem tradição de honrar seus compromissos. Desviamos recursos preciosos para ajudar governos estrangeiros desgastados e empresas nacionais de comportamento suspeito.

Fica difícil explicar o que parece inexplicável para as pessoas de bom senso e razoavelmente informadas.

Nossa diplomacia sobrevive com base em um núcleo de diplomatas filhos e netos de grandes nomes da Casa de Rio Branco. E estes, de certa maneira, são discriminados justamente por terem recebido uma formação baseada nos ensinamentos do nosso diplomata-maior.

Neste segundo semestre, as atenções de todos os democratas do Brasil devem se voltar também para o comportamento de nossa diplomacia  em relação a países que se afastam cada vez mais e despudoramente de práticas democráticas e éticas. 

Passamos da fase de uma política de envergonhar. Agora é mesmo de humilhar e agredir as nossas melhores e mais respeitadas tradições internacionais.