Opinião

Perdas


Os brasileiros podem ter perdido a noção do certo e do errado, mas não os investidores estrangeiros, que não têm a menor disposição de pagar por isso


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 22 de Agosto de 2018 às 12:00

  | Historiador


Não há desinformação que esconda o sujeito e o predicado do derretimento do Real: Lula, o candidato impossível liderando as intenções de votos na eleição presidencial de 2018.

Só mesmo em um país que perdeu muita coisa isso poderia acontecer.

E não é preciso qualquer esforço para entender por que essa desvalorização dos últimos dias equivale à da crise do inicio de 2016, quando Dilma, a economista da insensatez, derretia a economia brasileira com besteiras inomináveis explicadas com citações de Gramsci.

Agora, basta ler o programa de governo do PT para a eleição de outubro. Sem nenhum rodeio, está lá, com todas as letras, a implantação de uma ditadura de esquerda pelo “controle social dos poderes da República”.

Perdemos a capacidade de ler, mais do que as letras, os acontecimentos.

Os brasileiros podem ter perdido a noção do certo e do errado, mas não os investidores estrangeiros, que não têm a menor disposição de pagar por isso.

Vivemos dias sombrios no Brasil.

Um ex-presidente, condenado por corrupção, escreve no New York Times que a justiça do País o está perseguindo por motivos políticos. Outro, que prega aliança entre o PT e o PSDB, diz no Financial Times, a título de confrontar seu sucessor boquirroto, que o julgamento dessa condenação deve ficar a cargo de historiadores.

A considerar o perfil dos historiadores brasileiros pelo daquela que exporta a tese do golpe contra Dilma em prestigiada obra que pretende ser uma biografia do Brasil, podemos imaginar que tipo de julgamento teremos no futuro, se é que ainda temos algum.

Foi assim, com atores conhecidos, pesquisas encomendadas e leniência do poder público que a mais recente ofensiva lulista empurrou a economia do País para mais perto do caos, enquanto ele não se instala.

A perda do senso comum,  da moralidade e da autoridade no Brasil tornaram esse absurdo possível pelo pedantismo que se recusou a acolher o pedido liminar de afastamento de Lula da campanha, sob o argumento de que sua candidatura ainda não acontecera, por não ter se iniciado o prazo legal de registro.

No Brasil é assim. Alguns males são atraentes demais para que se previnam. O desastre está sempre rondando nossa História.

De um executivo e um legislativo corrompidos em suas mais altas instâncias não se pode esperar nada mesmo. Do judiciário tampouco.

Aos lamentáveis episódios envolvendo ministros do STF soma-se agora o de uma cantata de samba que nos leva a perguntar o que estariam comemorando aquelas augustas figuras em momento tão grave da vida nacional.

Ali também se perdeu o decoro, primeiro sinal do descompasso entre o interesse pessoal e o público.

Enleado nesse clima de faz de conta, o Brasil parece não se dar conta de suas perdas e nem compreende o significado das que sofre.

Como as dos soldados de seu Exército que morreram nesta segunda-feira (20/08) no Rio de Janeiro para defender uma sociedade que perdeu o juízo.

IMAGEM: Agência Brasil

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