Opinião

Paz e guerra na Paulista


Em seu discurso, Lula se colocou no papel de um emissário da paz para, na verdade, fazer mais uma ameaça à sociedade brasileira. O significado foi claro: não me toquem, ou sofrerão as consequências


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 19 de Março de 2016 às 09:45

  | Historiador


“A Grã-Bretanha e a França tiveram que escolher entre guerra e desonra. Escolheram a desonra. Terão a guerra.” Com essas palavras Winston Churchill se dirigiu ao Primeiro-Ministro Neville Chamberlain, após este assinar os Acordos de Munique com Hitler, em 29 de setembro de 1938.

Pouco tempo bastaria para se verificar quão ingênuo foi o discurso de Chamberlain no seu retorno à Inglaterra saudando a “Paz para o nosso Tempo” e o quão proféticas foram as palavras com que Churchill o acolheu na Câmara dos Comuns. Menos de um ano depois, o mundo mergulhava na maior guerra da História.

Não obstante os brasileiros não estarem em guerra, ainda que a retórica dos petistas em palanques e gravações telefônicas indique o contrário, as palavras de Churchill cabem como uma luva na situação de impasse que o Brasil vive hoje.

Lula, no discurso que fez ontem à noite (18/03) na Avenida Paulista se colocou no papel de um emissário da paz para, na verdade, fazer mais uma ameaça à sociedade brasileira. O significado foi claro: não me toquem, ou sofrerão as consequências.

Causam perplexidade a audácia e a arrogância de Lula. Quem o investiu do papel de pacificador de um conflito que ele, mais do que ninguém, vem açulando no País, em todas as horas possíveis?

Como alguém que em palanques e gravações vindas a público promove sistematicamente a violência tem a desfaçatez de pedir que não se dê a ele o tratamento de inimigo que dispensa aos que o contrariam?

Ontem à noite, Lula mostrou que não tem limites, confiando cegamente na sua capacidade de manipular indivíduos e plateias para impor sua vontade a tudo e a todos.

Lula não tem um mandato eletivo. Lula não teve reconhecidas sua nomeação e posse como Ministro da Casa Civil. Lula não foi convocado pela sociedade brasileira para ocupar um cargo com a finalidade confessa de livra-lo da Justiça.

Ainda assim, sem mandato, sem autoridade e sem respaldo, ele vem a público reiterar o desafio à ordem constituída. Não há paralelo com nada ocorrido no País.

As conversas gravadas de Lula, taxando de covardes a superior e a suprema corte do País, como de resto o tratamento vil e grosseiro que dispensa a pessoas e autoridades, demonstram o seu menosprezo pelo que possa se colocar em seu caminho.

Isso talvez explique como ele tenha ido tão longe. Mas Lula é muito mais do que um megalômano. Ele se move por uma vontade insaciável de poder, não medindo meios e fins para satisfazê-la.

Depois do que se passou ontem à noite na Avenida Paulista, o importante não é mais saber se Lula vai se submeter ou não à Lei.
O que agora está em jogo é se a Justiça honrará o seu dever de conter Lula antes que ele deflagre a guerra que prometeu. 

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