Opinião

Para melhorar, precisa piorar


Somente a tomada das ruas pelos mais pobres, sufocados pelo desemprego, inflação, e falta de perspectivas, levará o país a mudar o que hoje está incrustrado no poder federal


  Por Paulo Saab 07 de Outubro de 2015 às 10:30

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


O Brasil vive um momento absolutamente atípico.

Perde posições no “ranking” das economias mundiais; atravessa enorme crise econômico-financeira; tem elevado os índices de desemprego; viu afundar a sua maior empresa, a estatal Petrobrás no maior caso de corrupção da história; assiste o desmoronar da indústria, perde competitividade interna, se isola no ridículo MERCOSUL, tendo como parceiro principal a falida Venezuela, enquanto o mundo forma blocos com gigantes e ascendentes no quadro internacional; as demissões aumentam de forma já intolerável, entre outras questões graves.

Em meio a tudo isso, a crise política se amplia, caminhando para uma encruzilhada institucional que pode criar um ambiente hostil interno do qual não se tem notícia no país.

Enquanto isto, em Brasília, o foco é na manutenção do poder, dos privilégios e dos esquemas de ganho armados à custa do dinheiro público, como se o resto do país estivesse num mar de tranquilidade.

De um lado o lulopetismo danoso busca impor-se aos poderes constitucionais, marca registrada dessa era nefasta da vida nacional. Um deputado vice-líder do governo na Câmara, certamente do PT, nem lhe menciono o nome por ser desconhecido, afirmou na televisão que “a oposição já pôs um pé no STF através do ministro Gilmar Mendes e outro no TCU, através do ministro Augusto Nardes. Eles são desqualificados e devem ser afastados.”

No caos econômico , o político chafurda.

Quem não faz o jogo do petismo é desqualificado e “pôs o pé” em outros poderes. Tem que ser afastado, certamente, eufemismo para o extirpado, a gosto dos esquerdistas retrógrado viúvos do cadáver vivo de Fidel Castro e morto de Chaves.

O “companheiro” Gilberto Carvalho, espécie de braço esquerdo de Lula, que por anos comandou de dentro do Palácio do Planalto o esquema de financiamento, com dinheiro público, de movimentos ditos sociais, de conotação política favorável ao petismo, declara que eles “farão de tudo” para que Lula volte em 2018.

O país já tem uma ideia do que é o “fazer de tudo” dos petistas, passando pelo pacto com o “diabo” e afrontamento às regras legais. E paga esse preço hoje no conteúdo dessa crise profunda que desmonta o Brasil.

O julgamento das Contas de 2014 de Dilma, pelo TCU e a abertura de ação no TSE para investigar as irregularidades da campanha da governanta na reeleição, são fatos impossíveis de serem controlados pelo petismo, embora usem de toda chicana e verborragia possíveis para imitar o ditador Maduro da Venezuela, desconstruindo quem ousa ser contra o estilo e forma do lulopetismo dos qual

Dilma é estereótipo caricato.

Houvesse de fato no Brasil oposição, além da que os Democratas fazem de forma  quase isolada, fosse ela organizada, forte e aguerrida, e isso tudo já teria mudado de rumo.

Enquanto isto, a cada dia, a cada novo capítulo da novela de terror que se transformou o poder petista no país (e em São Paulo, capital) o brasileiro comum vai desanimando, perdendo a força, a coragem, a paciência, embora não se mobilize como deveria.

O mais grave ainda: pelo andar da carruagem, para poder haver um modo de começar a melhorar, ainda tem que piorar muito a vida, principalmente, dos brasileiros das classes econômicas mais baixas.

Somente a tomada das ruas, pelos mais pobres, sufocados pelo desemprego, inflação, e falta de perspectivas, levará o país a mudar o que hoje está incrustrado no poder federal: o câncer que corrói o país.