Opinião

Os contêineres se tornaram um inacreditável gargalo para a retomada econômica


Na pandemia, o custo por container chegou a atingir US$ 10.000,00, segundo empresas de navegação. Um ano antes era de US$ 2.000,00


  Por Michel Abdo Alaby 09 de Fevereiro de 2021 às 18:03

  | Consultor de Comércio Exterior da Associação Comercial de São Paulo


2021 é um ano em que se espera alguma retomada econômica, mesmo que seja aos trancos e barrancos, porque simplesmente não há alternativa. E o comércio exterior é um dos setores que não somente aguarda essa retomada, como espera ter um razoável protagonismo nela.

Mas um item ao qual pouca gente - fora do ramo de logística ou comércio exterior, que fique bem claro - prestava atenção, se tornou um gargalo para o aumento das exportações e importações, não somente no Brasil, mas no mundo: os containers, cuja falta aumentou o preço dos fretes e causou congestionamento nos portos marítimos.

A escassez e encarecimento dos contêineres no mercado já vinham sendo identificados antes, mas ao contrário do que poderia se esperar, essa realidade não foi interrompida pela pandemia, quando os preços de muitos produtos, como o petróleo, por exemplo, caíram a níveis baixíssimos por falta de demanda.

No caso dos contêineres, eles faltaram no mercado porque, embora não tenha havido uma interrupção no transporte de cargas, como houve no de pessoas, a liberação das mercadorias foi mais lenta nos portos, terminais e armazéns, que também sofreram com as medidas de isolamento social e os cuidados na vigilância sanitária.

Desde que a China pareceu começar a retomada econômica, por volta de outubro de 2020, com uma maior demanda por produtos, o preço do frete marítimo China/Brasil disparou. O custo começou a subir significativamente, chegando a atingir US$ 10.000,00 por container, segundo empresas de navegação. Um ano antes era de US$ 2.000,00.

Mas o simples encarecimento não foi o pior problema. No auge da pandemia no Brasil, entre março e julho de 2020, mais de 20 viagens de navio da China, o que equivaleria a seis semanas de fluxo de contêineres entre os dois países em uma época normal, foram canceladas, com os navios indo para a Europa e os Estados Unidos, rotas mais lucrativas, e evitando os portos brasileiros.

Mas afinal, o que está acontecendo com os contêineres?

Para o leitor não familiarizado com questões de logística e de comércio exterior, há cerca de 35 milhões de contêineres em uso no mundo todo. As empresas de navegação, um setor muito concentrado, e composto por grandes grupos econômicos, possuem cerca de metade deles, estando o restante nas mãos de locadoras. É um mercado com poucos players, que trocam informações entre si, evitando que haja um excesso de oferta e os preços caiam.

Por mais que os preços estejam altos, isso não quer dizer que essas empresas tenham interesse em manter o mercado como está, porque elas também perdem negócios. Elas já encomendaram novos contêineres para os fabricantes chineses, que dominam esse mercado global. Mas como a produção leva tempo, ainda há um prazo indeterminado até a situação se normalizar.

 






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