Opinião

Os amores da loira


Marta Suplicy pode deixar de se candidatar à Prefeitura de São Paulo pelo PSB para concorrer pelo PMDB


  Por Eymar Mascaro 12 de Agosto de 2015 às 12:49

  | Jornalista e comentarista político.


A notícia de que José Serra pode ser candidato à presidência da República pelo PMDB deixou a senadora Marta Suplicy com a cabeça em ebulição: ela já estava decidida a ingressar no PSB e agora pensa simultaneamente em ser candidata à Prefeitura de São Paulo pelo partido do vice-presidente Michel Temer, que tem mais musculatura, mais diretórios distritais na Capital e mais votos.

Marta recebeu, nas últimas horas, o apoio do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disposto a homenageá-la oportunamente com um almoço com muitos talheres.

Skaf está trocando uma nova candidatura de prefeito pelo PMDB, em 2016, pela de governador, em 2018. Para ele, portanto, uma vitória de Marta na Capital teria o sabor de mamão com açúcar e fortaleceria o partido para as próximas eleições.

Marta era um dos quadros mais graduados do PT e pretendia voltar à Prefeitura com os apoios de Lula e do ex-marido, Eduardo Suplicy.

Mas, quando soube que a cúpula do PT decidiu apoiar a candidatura de Fernando Haddad à reeleição, ela se rebelou e reagiu indignada, por entender que tem mais votos do que o prefeito na periferia da cidade, além de sustentar ligações antigas com as lideranças comunitárias que atuam principalmente nos bairros mais afastados do centro da Capital.

A senadora entende que pode compensar a perda de apoios importantes no PT, como o de Lula, agregando à sua campanha outras adesões de peso, como as de Michel Temer, José Serra e Paulo Skaf.


O coração de Marta, portanto, balança entre dois amores, PSB e PMDB, mas a loira ainda não decidiu com que noivo vai se casar em 2016, ano da eleição municipal.

Pelo jeito, o charme do PMDB cativou a senadora quatrocentona.

Michel Temer vem trabalhando intensamente para fortalecer o PMDB. Além de estar de olho na conquista da mais representativa prefeitura do país, que é a da capital paulista, Michel admite que a cidade de São Paulo pode ser novamente administrada por Marta Suplicy.

A Prefeitura é fundamental também para o PMDB, que já decidiu que vai ter candidato próprio ao Palácio do Planalto, em 2018.

O objetivo de Temer é cooptar Serra do PSDB, por ser experiente em eleições e por ter concluído que não terá qualquer chance de obter a legenda presidencial tucana, que já está comprometida com o senador Aécio Neves.

A melhor saída para Serra, segundo os amigos, é sair candidato à Presidência pelo PMDB, um partido que também está implantado com diretórios em quase todos os municípios brasileiros.

Se, eventualmente, Michel Temer assumir o governo em substituição a Dilma Rousseff, o senador José Serra pode ser Ministro da Fazenda, cargo que permitiria a ele consertar a economia, fortalecendo sua candidatura ao Planalto.

A candidatura presidencial de Serra implodiria a votação de Aécio Neves no colégio eleitoral número um 1 do País, São Paulo.

Na mesma situação incômoda está Geraldo Alckmin. O governador deseja ser candidato ao Planalto porque acha que o PT está enfraquecido e que será mais fácil derrotar Lula em 2018.

Como também não terá a legenda do PSDB, Alckmin estuda convite para ser candidato pelo PSB. Outra proposta foi feita a ele pelo senador Aécio: que seja seu companheiro de chapa, candidatando-se a vice.

 

A eleição de prefeito de São Paulo ainda é um enigma: ninguém pode afirmar que este ou aquele candidato é o favorito para ganhar a eleição.

Os apresentadores de televisão Celso Russomano e Luís Datena aparecem na frente dos adversários nas primeiras pesquisas de intenção de voto; mas existe uma explicação plausível para isso: os dois estão diariamente - e sozinhos - na telinha da televisão.

O índice de preferência pelos dois jornalistas deve cair quando os demais candidatos também tiverem seus espaços na tevê.

O Ibope de Fernando Haddad não tranquiliza o PT; mas também o PSDB, seu principal adversário, não pode confiar nos pré-candidatos que já se apresentaram à cúpula do partido.

Zuzinha e Bruno Covas, que gostariam de herdar o espólio eleitoral do pai e avô, Mário Covas, já na eleição do ano que vem, estão longe de tornar realidade o sonho de se eleger prefeito de São Paulo em 2016.

O mesmo acontece com o vereador Andrea Matarazzo e o jornalista-empresário João Dória. Andrea está com índice baixo nas primeiras sondagens, enquanto João Dória continua sendo um ilustre desconhecido dos eleitores.

Por isso, o PSDB andou paquerando o Datena.

Ultimamente, PT e PSDB tem polarizado as eleições no país, mas se não ocorrer um fenômeno eleitoral, dificilmente os dois principais partidos manterão a tradição.

É provável que a crise que abala o país, atingindo sobretudo o PT, sacrifique a candidatura de Fernando Haddad. O prefeito, no entanto, ainda aposta alto no carisma e liderança de Lula, que foi quem o elegeu em 2012.

Além disso, o prefeito confia, e muito, na bancada de vereadores do PT e partidos aliados, já que a maioria se elegeu nos populosos bairros da periferia.
 






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