Opinião

Oportuno exemplo de Getúlio Vargas


O livro ganha dimensão neste momento em que estamos numa campanha eleitoral em que o nível anda deixando a desejar, com acusações de todos os lados,criando um clima de divisão entre políticos e eleitores.


  Por Aristóteles Drummond 05 de Setembro de 2018 às 10:20

  | Jornalista


Acaba de ser lançado Volta ao Poder, o livro que reúne a correspondência entre Getúlio Vargas e sua filha Alzira do Amaral Peixoto, com quem tinha relações próximas nos assuntos políticos e administrativos.

Era a filha que se interessava por tais temas, o que não era o caso dos demais – Jandira, Lutero e Maneco, embora este tenha exercido mandatos municipais em São Borja. A obra, em dois volumes, trata do período que vai da deposição à eleição em 1950.

Trata-se de um precioso relato das articulações políticas de candidatos, desde a eleição do Marechal Dutra a própria campanha de 1950, passando pela Constituinte de 46, em que Getúlio foi eleito senador e deputado por diferentes estados.

Mas, além disso, o livro mostra como se fazia política naquele tempo. E evidencia a vida modesta de fazendeiro de quem exerceu o poder por 15 anos.

As articulações, alianças e composições eram feitas com base na gratidão, na identidade de pensamento, na habilidade, no trânsito pessoal. Tudo sem o lado cinza dos interesses pessoais, do uso da função pública como moeda de troca.

Getúlio contou mesmo para a volta ao poder com os companheiros de 30 até o fim do Estado Novo, espalhados pelo PSD.

No partido, estavam políticos como: Benedito Valadares, governador de Minas escolhido por ele; JK, que foi prefeito nomeado de BH, deputado constituinte e que se elegeu com ele, em 50, para o governo mineiro; Amaral Peixoto, interventor que viria ser eleito governador do Estado do Rio; Filinto Müller, do PSD-Mato Grosso,  do PTB já com Jango muito jovem assumindo a posição de herdeiro político, no PSP de Adhemar de Barros, que se elegeu governador, em 46, e deu o vice Café Filho, em 50.

A moeda de troca era o reconhecimento pelo passado e não barganhas para o futuro.

O livro ganha dimensão neste momento em que estamos numa campanha eleitoral em que o nível anda deixando a desejar, com acusações de todos os lados, muitas preconceituosas, mentirosas, criando um clima de divisão entre políticos e eleitores.

Poucos defendem programas para o combate à crise econômica, preferindo futricaria contra adversários; quando não, promessas de visível viés demagógico.

A mãe de todas as reformas parece ser a da maneira de fazer política, de administrar o país. Precisamos da volta do exemplo de Vargas, incluindo seus opositores –contundentes, mas homens de bem.

Alguns se excederam, como Afonso Arinos Sobrinho, da UDN, que, no entanto, teve tempo, antes de morrer, de mostrar arrependimento por recorrer a violência verbal sem lastro na verdade nos debates que antecederam o final trágico do estadista.

O Brasil merece manter os bons e agregar novos valores nestas eleições!

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio