Opinião

O tempo vai passando...


Na própria área econômica, medidas simples, simplificadoras, já poderiam estar sinalizando a mudança no país


  Por Aristóteles Drummond 06 de Março de 2019 às 15:03

  | Jornalista


O ano brasileiro é diferente do romano, do israelita, do chinês. No calendário, começa em 1º de janeiro, mas, aqui, só depois do Carnaval.

Janeiro são férias escolares, fuga do calor, algumas empresas dão até férias coletivas em tempos de pouca demanda. A Quarta-feira de Cinzas é que marca o início a sério do ano. E este 2019 não está sendo diferente.

O novo governo, com a mais expressiva manifestação de vontade popular da história republicana pós-Vargas, pouco apresentou. E, pior, muito se desgastou, revelando a falta de experiência política, com brigas internas.

A começar pela mãe das reformas, que, na verdade, é a definição do futuro de nossa economia e credibilidade, a da Previdência. Ela tem sido mal explicada, uma vez que, no geral, da população ativa só será mexida a idade mínima?  aliás, compatível com as praticadas nas principais economias.

E o erro de se deixar acuar pela pressão mesquinha de introduzir no debate a questão dos militares, que estão sob outro regime, a ser alterado no futuro. Mas cada reforma tem sua hora. Embaralhar é tumultuar e politizar.

Na própria área econômica, medidas simples, simplificadoras, já poderiam estar sinalizando a mudança no país. Um exemplo do desgaste  da burocracia entre formadores de opinião: os brasileiros que viajam são contribuintes que podem comprar US$ 20 mil em seu banco, por ano, debitado em sua conta, mas, ao chegar ao aeroporto, têm de declarar à Receita o que ela já sabe. Deveria ser para os que portam mais do que os 20 mil.

E nas lojas de free-shop, que o limite de 500 dólares vige há 30 anos! Menos do que o do Uruguai. E isso quando se sabe que poucos gastam a cota permitida e que, hoje, o pagamento pode ser em reais. Parece simples, mas não é.

Precisa ser feita alguma coisa no sentido de animar o mercado de capitais, estimulando o lançamento de novas ações, para direcionar parte da poupança popular para o setor produtivo.

Acabar, por exemplo, com o imposto sobre ganho de capital, que faz do Estado parceiro da intuição do investidor, que nem sempre é feliz. Um tipo Rio-Dólar, defendido pelo avô do presidente do Banco Central, para recuperar as perdas da cidade no mercado financeiro, embora mantenha quadros da maior qualidade.

E com os espaços disponíveis no Porto Maravilha, somos uma economia fechada burocratizada em termos de câmbio. Até na velocidade de resolver concessões problemáticas, nas estradas, portos e aeroportos, ressente-se da demora. E nada custa ao governo, se não administrar o que concedeu e pede ajustes.

O jogo começa, o relógio marca. E o país tem pressa em crescer e melhorar a vida de todos. Esta eleição foi a grande chance e não pode ser perdida.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio