Opinião

O tempo passa


Parece que poucos pensam no interesse da nação. Todos querem tirar vantagens da crise, como se isso fosse possível


  Por Aristóteles Drummond 02 de Dezembro de 2015 às 17:56

  | Jornalista


O calendário mostra que chegamos praticamente ao final do ano. Novembro, com feriado em alguns estados, e dezembro, na corrida de fechamento do ano.

Tudo com crise nas vendas, no emprego, na renda, na arrecadação, na lucratividade das empresas.

O mercado aponta para dificuldades de algumas grandes organizações, em remessas de lucros ou dividendos das empresas estrangeiras, pressionando o câmbio, além de dificuldades na rolagem de dívidas no mercado local e no internacional de grandes corporações.

Não vamos ter, com certeza, um final de ano tranquilo. Falta vontade e pragmatismo para melhorar.

E mais: a crise política vai se arrastando, com a agonia de importantes atores da vida nacional.

Parece que poucos pensam no interesse da nação. Todos querem tirar vantagens da crise, como se isso fosse possível. Clima de traições deprimentes e visíveis.

Desde o vice-presidente, cujos amigos conspiram abertamente e chegam a formular convites ou se apresentarem como futuros membros do alto escalão, a forças políticas que querem se aproveitar do desânimo popular para tentar emplacar candidaturas aventureiras e perigosamente radicais.

A eleição municipal do próximo ano é imprevisível em termos de resultados nas principais cidades do país.

O clima externo por sua vez nos é cada vez mais desfavorável. Rebaixamento, fuga de capitais, queda do Real, relações comprometedoras com países que afrontam a democracia e a razoabilidade na manipulação das instituições.

E todos devendo a um Brasil que, na verdade, não poderia ajudar a ninguém neste momento. Devemos até aos organismos internacionais aos quais estamos falidos.

Avançar em reformas, como a previdenciária, fiscal, trabalhista, e melhorar equilíbrio nas relações de estados e municípios com a União poderiam ter ajudado na economia e até mesmo na política.

A reforma política votada acabou confusa e com cada casa do Parlamento tendo um entendimento diferente de questões importantes.

Enfim, o ano que praticamente está acabando nada apresentou no sentido do país estar melhor preparado para a crise, que nos deixa quase sempre na pior situação entre os latino-americanos, entre os BRICs, entre as grandes economias.

Quem sabe baixe juízo na turma e se trabalhe na busca do tempo perdido. Afinal, somos o país da esperança e esta é a última que morre.