Opinião

O semideus da malandragem


Alguém, no cumprimento de suas funções, que condena Lula, baseado em fatos, provas e circunstâncias, deve ser afastado porque ele, Lula, é intocável, inalcançável pelas leis


  Por Paulo Saab 01 de Março de 2018 às 16:25

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Entrevista de Lula à Monica Bergamo, na edição da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (1/03) hoje revela o quanto o ex-presidente perdeu a noção de cidadania para auto elevar-se à condição de semideus na Terra, se afastando de vez do bom senso, do discernimento, e da realidade dos fatos.

Defender a exoneração do juiz Sergio Moro e dos desembargadores do TRF-4, que o condenaram, “a bem do serviço público”, como pediu, é de uma gravidade que para ele soa como banalidade.

Alguém, no cumprimento de suas funções, que condena Lula, baseado em fatos, provas e circunstâncias, deve ser afastado porque ele, Lula, é intocável, inalcançável pelas leis, e quem ousa fazer isso, em nome da lei e da Justiça, contraria o interesse público.

Seria dramático se não fosse patético.

O desvario de Lula é apenas um dos componentes que fazem do momento brasileiro, algo triste.

Só neste Diário do Comércio sou colunista há 33 anos. Uma vida toda.

E, confesso ao amigo leitor, que nunca me senti tão desanimado, tão ofendido, tão revoltado, com a vida política, institucional do país, como nessa quadra.

Correndo o risco de ser injusto na generalização, ouso afirmar que para onde se olhe, na esfera do poder público em todas as suas instâncias e níveis, e na banda podre do empresariado esperto, na banda podre do funcionalismo público, o que se vê é assalto, bandidagem, esperteza, dilapidação do recurso publico em favor de corruptos, criminosos, bandidos, que posam de autoridade usando cargo público ou sua relação com este, a seu favor para fins escusos.

Que nojo está o Brasil.

Isso tudo em ano eleitoral.

A massa vai para as ruas pular carnaval. E aceita essa rapinagem toda, a presença de bandidos em cargos representativos e tudo segue como se fosse a maior normalidade. Ou será que é e estou por fora. Devo aderir? Você, brasileiro honesto, deve aderir?

(parêntese: não preciso dizer brasileiro e brasileira. É comum de dois, apedeutas petistas).

O Brasil sempre esteve mais para medíocre do que para grandioso. O lulopetismo, que a história jogará na lata de lixo como fator de retrocesso no país, elevou a níveis estratosféricos, e segue elevando, com suas ramificações e sucedâneos (além do próprio, já figura caricata de si mesmo) a mediocrização que assola o país. Fora o Febeapá de Sergio Porto (Festival de Besteiras Que Assola o País) que segue mais vivo e forte do que nunca.

Que fase, como diria Milton Leite.

É ano eleitoral, repito. A massa já deveria estar nas ruas e se mobilizando para varrer do mapa, via voto, os energúmenos (sou fino, não vou repetir criminosos) que ocuparam o comando do país em todos os sentidos. Com uma ou outra exceção. Você aí está na exceção.

Se não houver mobilização, campanha de esclarecimento, separação do joio e do trigo, vamos novamente eleger mais do mesmo.

A sabedoria popular diz que se você continuar fazendo as mesmas coisas do mesmo jeito obterá os mesmos resultados.

Quem pensa, discerne, é do bem, é honesto, não comete espertezas para levar vantagens, deveria levantar do sofá e se fazer ouvir antes das eleições.

Se não ficam valendo as sandices que o semideus regurgita.

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio