Opinião

O que sabemos e não sabemos


Sabemos que a aposta dos radicais está nas ruas, alimentada pelo palanque do arruaceiro-mor desta República, o maior responsável pelas tensões e acirramento de ânimos com que agora o PT e seus associados pretendem intimidar a sociedade


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 05 de Março de 2016 às 08:05

  | Historiador


A Justiça é tanto instrumento de aplicação da Lei quanto expressão da soberania do Estado. Para a justiça ser feita, ela julga e afirma que todos estão sujeitos ao seu julgamento.

Se não for assim, se for rompida a relação entre ação e alcance da Justiça, a vida em sociedade fica impossível. Na medida em que uns se coloquem além dela, não haverá mais autoridade sobre todos, o que degrada não apenas o Estado, mas a sociedade em seu conjunto, que é o que continua a acontecer no Brasil e nos levou ao atual estado de coisas.

Ou alguém acha normal que um ex-presidente investigado escolha quando depor e quem o investigue? E como aceitar que personalidades de dito elevado saber critiquem a condução do ex-presidente para depor da forma a que estaria sujeito qualquer outro cidadão que se recusasse a fazê-lo? Não é suficiente que o Estado tenha sido aparelhado e saqueado pelo PT? Vamos agora despojá-lo dos instrumentos de que ele ainda dispõe para exercer a soberania em nome de todos nós?

O que de mais preocupante aconteceu ao Brasil nessa 6a feira, 4 de março de 2016, não foi a condução coercitiva de um ex-presidente investigado ou a pajelança montada nos arraiais petistas para desagravá-lo.

O que aconteceu de muito grave ao Brasil foi a falta de apoio das lideranças institucionais do País à iniciativa corajosa de um juiz de primeira instância a pedido de uma equipe de procuradores e policiais cujas ações contam com indiscutível apoio da esmagadora maioria da sociedade brasileira.

Nesse contexto, o que significa o “inconformismo” da presidente-criatura com o que aconteceu ao presidente-criador? O que quer dizer o silêncio do Congresso, do STF e da Procuradoria Geral da República perante um ato republicano que deveriam aplaudir?

Muito e nada de bom, reiterando o que sabemos. Que temos um governo que flerta com o aberto desafio à Justiça. Que as instituições do País continuam sem funcionar. Que não temos lideranças à altura da crise que enfrentamos.

E que, por fim e por certo mais grave, a maioria da sociedade está desacreditando não só do governo mas das instituições que conformam o Estado brasileiro que aparenta estar corrompido até a raiz, incapaz mesmo de se defender, quanto mais à sociedade que nele se organiza politicamente.

É um absurdo imaginar que a sociedade brasileira esteja se descolando do Estado. Mas a continuar o alheamento das instituições em relação às expectativas da sociedade, isso pode se tornar em incêndio à menor faísca.

Parece que toda a esperança de grande maioria da população se remete nesse momento ao Juiz Sérgio Moro, como até pouco tempo aconteceu com o Ministro do STF Joaquim Barbosa. E o que vai acontecer quando canalhices, conchavos e fraquezas acabarem com toda a esperança? Vai sobrar o quê?

Sabemos que a aposta dos radicais está nas ruas, alimentada pelo palanque do arruaceiro-mor desta República, o maior responsável pelas tensões e acirramento de ânimos com que agora o PT e seus associados pretendem intimidar a sociedade.

Sabemos que a sensatez vai perdendo espaço a cada dia, espremida pelo desemprego, pela inadimplência e pela falência das empresas, enquanto prossegue nos plenários e tribunais o jogo de cartas marcadas. E sabemos perfeitamente que essa não é uma situação estável, que possa perdurar indefinidamente.

O que ninguém sabe é o quanto custará.