Opinião

O que restará?


Com o gênero transformado em arma, restará cada vez menos sentimento entre homens e mulheres


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 08 de Março de 2018 às 20:48

  | Historiador


 

Passou-se todo o dia (8/03) homenageando a Mulher. Infelizmente, já chegamos a um ponto em nossa sociedade que é difícil encontrar uma única mensagem que simplesmente homenageie a mãe, a esposa, a irmã, a companheira ou a amiga, as mulheres da nossa vida.

A cultura do ressentimento que perpassa nosso dia a dia não deixa mais espaço para isso. Só para a desigualdade, para os direitos e para a violência, em uma ciranda cada vez mais radical, de atos e discursos.

Com o gênero transformado em arma, restará cada vez menos sentimento entre homens e mulheres. E os que se apressam a denunciar o discurso de ódio são exatamente aqueles que atiçam a misoginia e a misandria.

É de dar pena o que está reservado às futuras gerações.

Condenados os homens a serem fracos e idiotizados, em um extremo, ou brutais e insensíveis, no outro, não sobrará nada às mulheres senão se bastarem a si em tudo, a epítome da independência feminista que fundará uma sociedade de órfãos.

Sentenciadas a serem o que não são, as mulheres abrirão na sociedade um vazio de sensibilidade pelo qual se escoará  o sentido da natureza humana.

A instrumentalização do gênero promete não deixar pedra sobre pedra.

Não haverá famílias, certamente não como as conhecemos hoje em dia, independentemente de não sabermos o que há de tão errado com elas.

Não haverá relações espontâneas entre homens e mulheres, apenas o utilitarismo sexual, eventualmente procriador e afetivamente asséptico.

Não haverá sentimentos, só comportamentos. Não de homens e mulheres como tais, mas dirigidos por um ethos que fará as convenções sociais de  nosso tempo parecerem libertárias.

Em nome da igualdade, da liberdade e dos direitos, impor-se-á às mulheres uma feminilidade que não é sua, compartilhada por homens que pretendem sê-las, sem jamais o conseguirem.

Não restará nada. Nem mesmo o amor.

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

IMAGENS: Thinkstock