Opinião

O que o PT merece


Alguém lembrou que o procedimento dos petistas evoca a prática do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels de insistir na mentira até que ela se torne verdade


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 26 de Agosto de 2016 às 17:30

  | Historiador


O desfile de ofensas nos trabalhos de julgamento do impeachment da presidente da República em curso no Senado Federal chegou ao seu auge nesta sexta-feira.

O que até aqui foi tolerado, em nome da garantia ao direito da livre defesa, ultrapassou os limites da política. As ofensas deixaram de ser pessoais, para atingirem o Congresso como instituição e o próprio povo brasileiro que nele se representa.

Estimulados e acobertados por uma grande imprensa que a cada dia vai se tornando menor, os petistas que atuam no Senado se esmeram naquilo em que se especializaram: provocar os adversários para posarem de vítimas e tumultuar o que não lhes for favorável. Ninguém tem dúvida de quem são os ofensores e os perturbadores do julgamento no Senado.

O que é preciso saber, até segunda-feira (29/08), é até onde isso vai. Até onde irá a complacência das autoridades com a manifesta intenção petista de prejudicar os trabalhos no Senado Federal em um dos momentos mais críticos da história política brasileira.

Que essa catimba pesada vai dando resultados, vai. Conseguiu envolver o presidente do Senado e agora ronda o próprio presidente do STF, pouco adiantando suas admoestações às injúrias e tampouco sua ameaça de uso do poder de polícia para preservar a ordem dos trabalhos.

Alguém lembrou que o procedimento dos petistas evoca a prática do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels de insistir na mentira até que ela se torne verdade.

Pode ser, mas cada vez menos gente neste país compra a estorinha do “golpe”, e da lama em que o PT chafurdou não virá vitória alguma. Portanto, a essa altura do campeonato, o objetivo dos petistas é mais urgente e simples: desacreditar o processo de julgamento do impeachment.

E eles o estão perseguindo com vigor, pela intimidação. O precedente histórico que cai como uma luva no que está acontecendo no Brasil não é o de Goebbels, mas do próprio Hitler que, na sessão de julgamento pela sua participação no Putsch de Munique em 1923, intimidou juízes e testemunhas para de lá sair preso, mas vitorioso, no rumo do poder, para desgraça da Alemanha. 

Os próprios petistas já deram adeus às ilusões. Não estão defendendo princípios, ideais ou biografias. Dilma e Lula indo ao Senado para o confronto e senadores petistas se revezando em ofensas estão, na verdade, procurando desmoralizar as instituições que os investigam e podem condena-los. Querem é salvar-se,  a todo custo.

Bem, se o PT optou por transformar o julgamento do impeachment  num jogo de futebol, então que não seja uma pelada de várzea. Diante do que aconteceu ontem e hoje, a partir de agora, com os times em campo, os presidentes do STF e do Senado têm que estar prontos para dar aos próceres e senadores petistas o que a população brasileira já decidiu que o PT merece.

Cartão vermelho.

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