Opinião

O projeto de Witzel


Vaidoso e audacioso, o governador acaba se prejudicando desnecessariamente. Apesar de ter ocupado um vácuo eleitoral inédito e se elegido, precisa reconhecer que ainda é desconhecido das forças vivas da sociedade fluminense


  Por Aristóteles Drummond 11 de Outubro de 2019 às 09:33

  | Jornalista


O governador do Rio, Wilson Witzel, está sendo pragmático e acertando em cheio em dar prioridade à segurança pública, visivelmente a mais presente dos últimos governos. A polícia é vista por toda parte e os índices diminuíram, como tem sido publicado. Finalmente se percebe que bandido é bandido e policial é policial.

Sem dinheiro para outros investimentos, parece que não está atrapalhando e até mesmo facilitando projetos privados, como os dois de Maricá – o terminal portuário e o resort – e o apoio ao Porto Maravilha e outros.

Peca pela falta de experiência política, ao se precipitar e colocar seu nome na sucessão presidencial, que vai ocorrer daqui a três anos. Suas chances passam pelos resultados de seu governo. Sua ambição maior neste momento deveria ser o de atender a população, arrumar as contas estaduais. Para fazer um bom governo precisa ter relações próximas e cordiais com o presidente Bolsonaro, que é político fluminense e pode viabilizar soluções.

Vaidoso e audacioso, o governador acaba se prejudicando desnecessariamente. No mais, apesar de ter ocupado um vácuo eleitoral inédito e se elegido, precisa reconhecer que ainda é desconhecido das forças vivas da sociedade fluminense, que, em condições normais, sempre tiveram peso importante nas eleições.

Ainda na área da segurança, precisa implantar logo o bloqueio eficiente de celulares nos presídios – Israel tem tecnologia de ponta – e adotar armas com pontaria a laser para diminuir significativamente as “balas perdidas”, assim como tentar entregar a Aeronáutica o policiamento interno e externo dos aeroportos, em combinação com a Polícia estadual. As calçadas dos dois aeroportos andam ocupadas por engraxates e menores pedintes. E modernizar a gestão da saúde, que, moralizada, tem recursos para bem atender, se bem geridos.

Precisa ainda diminuir a folha estadual, inchada visivelmente, e tentar controlar o orçamento do Judiciário que parece desproporcional à crise que o país e o Estado vivem.

Nada de brigas desnecessárias, de fechar portas. O Rio já sofre com certa imobilidade na gestão da capital, que mal toca as obras que encontrou iniciadas.

Neste mundo político em que vivemos, o governador do Rio é o que parece mais habilitado a crescer, fazendo o Estado se desenvolver e atender a população. Se assim for, melhor para ele e para a população.

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