Opinião

O mundo em que vivemos


Crise política, econômica, moral não é privilégio do Brasil. Mas também a ação contra a corrupção pela primeira vez atinge altos mandatários e seus familiares


  Por Aristóteles Drummond 27 de Janeiro de 2016 às 15:00

  | Jornalista


Aproveito uma viagem a Portugal e Espanha para tecer algumas considerações sobre o que se passa na Europa em termos políticos e econômicos.

E comparo com a crise que atravessamos e tanto nos assusta. 

A globalização é um fenômeno histórico mais profundo do que o imaginado. Países como os da Península Ibérica que tiveram governos fortes por décadas – mas de exemplar austeridade e espírito público, o que não tem nada com as limitações no livre exercício da democracia – pagam caro a liberdade conquistada.

A roubalheira está instalada em todos os partidos. Muitas lideranças políticas presas, bens bloqueados e cobrança implacável de multas e impostos.

Na Espanha, a tia do atual Rei responde criminalmente por malfeitos do marido em entidades onde ela figura como dirigente.

Em Portugal, o ex-primeiro-ministro Sócrates ficou bons meses na cadeia e parece que será condenado tais as evidências de seu enriquecimento ilícito. Neste processo aparecem muito suas ligações comerciais com a Venezuela de Chávez e o Brasil de Lula.

No campo político, nos dois países, a centro-direita teve o primeiro lugar, mas a esquerda se uniu, gerando uma situação inusitada.

Apesar da grave crise na economia, que vinha sendo superada com sacrifício, Portugal tem um governo de esquerda cujas primeiras medidas foram as de restituir feriados (quatro) e aumentar os dias de férias, além de pressionar para obter mudanças na privatização da TAP.

A Espanha chegou a marcar o Dia de Reis, importante lá, como sendo “das rainhas” para combater o machismo cristão. Tudo que parece brincadeira, infelizmente, não é.

O resultado desta confusão política tem sido a interrupção nos processos de recuperação do emprego e da credibilidade, com agravamento do social. Também ocorre uma crescente intervenção do Judiciário, inclusive ordenando despesas inoportunas.

Portanto, crise política, econômica, moral não é privilégio do Brasil. Mas também a ação contra a corrupção pela primeira vez atinge altos mandatários e seus familiares. O que é um fato positivo se não sofrer constrangimentos, 
como no caso da Venezuela.

No mais, a Europa terá novos problemas com a economia grega e a ação política da Rússia, que de certa forma quer refazer de outra maneira seu domínio, sobre as antigas repúblicas soviéticas. Alemães e ingleses continuam no rumo coerente com a história de desenvolvimento econômico e social que possuem.

Que desta transição venha um novo mundo e não um retrocesso bolivariano.

PS: A grande figura exaltada pelos conservadores europeus é um latino-americano: Mauricio Macri